Professores rejeitam suspensão de matrículas para ensino de adultos
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terça-feira, 02 de agosto de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os professores da rede estadual de ensino se manifestaram ontem contra a decisão da Secretaria de Estado de Educação (Seed) de suspender todas as matrículas para o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) até o final deste semestre.
A suspensão, segundo a Seed, é necessária para que se possa mudar o atual sistema do EJA, reduzir a evasão escolar e incentivar os adultos a voltar a frequentar a escola.
''Não somos contra repensar métodos. Somos contra a suspensão das aulas para os alunos que querem continuar estudando. A matrícula precisa continuar sendo feitas e as aulas precisam ser dadas até o final deste ano'', pontuou o professor José Lemos, presidente da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato).
Lemos citou várias escolas com demanda para continuidade dos cursos do EJA e que estão tendo que dar aula de graça para que o aluno não seja demitido. ''Tem casos de alunos que precisam comprovar no trabalho que voltaram a estudar. Ou abandonamos estes alunos ou vamos dar aula para eles, mesmo correndo o risco de não recebermos'', disse Lemos.
O professor mostrou um compromisso assinado pelo governador Roberto Requião (PMDB), quando ainda estava em campanha, e que dizia que nenhum aluno ficaria fora da rede pública escolar. ''Queremos cumprimento de promessa de campanha. Nenhuma aula pode ser proibida no Paraná. Temos professores, temos alunos, temos demanda. Enquanto não se muda o método, vamos usar os métodos antigos'', argumentou ele.
Lemos foi um dos debatedores ontem na audiência pública da Comissão de Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa. Para ele, se os alunos ficarem fora da escola, corre-se o risco de abandonarem definitivamente os estudos; de não terem vagas no ano que vem devido à demanda dobrada que será formada; ou de resolverem comprar o diploma na rede privada.
A compra de diplomas também foi questionada pelos integrantes do Conselho Estadual de Educação, que fizeram uma minuta que impede a rede privada de cobrar para realizar o EJA e que faz com que apenas jovens acima de 18 anos possam se matricular no antigo supletivo.
''Temos muito picareta oferecendo o EJA com o aval da Secretaria de Educação do Paraná. Temos que acabar com isso'', enfatizou o padre Domênico Costella, vice-presidente do conselho.
O autor da minuta, Arnaldo Vicente, acredita que com a aprovação do texto, o EJA cumprirá a obrigação social de auxiliar a erradicar o analfabetismo no Brasil. ''Queremos um ensino de qualidade'', disse ele.


