Curitiba - Os professores federais em greve há mais de dois meses nas instituições do Paraná recusaram a proposta apresentada no início da semana pelos ministérios do Planejamento e da Educação. As decisões foram tomadas em assembleias nos últimos dias. Os docentes das universidades Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Federal do Paraná (UFPR) já tinham tomado esta decisão na quarta e quinta-feira, respectivamente. Ontem, representantes do Comando Local de Greve da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), também recusaram a proposta do governo.
A União propôs um reajuste salarial de 20% e uma segunda escala de ajustes que pode chegar a 45% até 2014. O piso sairia de R$ 500 para R$ 2 mil, e o teto da categoria passaria a ser de R$ 17 mil. O governo federal ofereceu ainda a reestruturação na carreira dos docentes, mas não abordou nada em relação à infraestrutura das universidades, uma das principais reivindicações.
''Os professores fizeram um debate e avaliaram que a proposta do governo é muito ruim. Além de aumentar os obstáculos para os docentes progredirem na carreira, o reajuste apresentado vai atender apenas 10% da categoria que são os docentes titulares, sendo que na UFPR, este índice cai para 3%. E sobre as melhorias nas condições de trabalho nada foi colocado em discussão'', destacou o secretário-geral da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Rogério Miranda Gomes.
As três universidades federais em greve no Estado possuem cerca de 5 mil docentes e mais de 50 mil estudantes. A Unila possui campus apenas na cidade de Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado. Na instituição 130 docentes aderiram à mobilização e 1,3 mil alunos foram afetados pela greve.
A UFPR têm três campi em Curitiba, Litoral e Palotina, no Oeste do Estado, com aproximadamente 3 mil docentes e cerca de 26 mil estudantes de graduação. Já a UTFPR possui 1.985 professores e 25.634 alunos em instituições na capital, em Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio, Campo Mourão, Medianeira, Francisco Beltrão, Toledo, Pato Branco, Dois Vizinhos, Guarapuava e Ponta Grossa.
Na segunda-feira, o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) se reúne novamente com representantes do Ministério do Planejamento para apresentar a posição das assembleias realizadas em todo Brasil sobre a proposta do governo.

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