Professores protestam em data histórica de luta e luto
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terça-feira, 30 de agosto de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - Os 28 anos do 30 de agosto, chamado pelos professores do Paraná como Dia de Luta e Luto, tiveram as ações concentradas na capital, onde milhares de professores vindos de todas as regiões do Estado marcharam, na manhã de ontem, da Praça Santos Andrade até o Palácio Iguaçu. No período da tarde, a categoria seguiu mobilizada e ocupou as galerias da Assembleia Legislativa do Paraná para acompanhar a sessão e pedir apoio dos deputados estaduais a fim de sensibilizar, via legislativo, o governo estadual a não descontar o dia dos manifestantes que participaram do ato.
O fatídico 30 de agosto de 1988 foi marcado pela truculência em que o então governador do Paraná, Álvaro Dias, tratou o protesto dos professores na Praça Nossa Senhora de Salete. Na ocasião, a Polícia Militar recebeu ordens para fazer uso de cavalos e bombas a fim de conter os manifestantes. De lá para cá, os professores utilizam a data para reivindicar melhores condições de trabalho e para a educação.
Pelos números do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP- Sindicato), 7 mil pessoas participaram do ato, já a Polícia Militar informou que foram 5,5 mil. O dia escolar ficou comprometido. Pela APP-Sindicato, houve 80% de adesão ao ato na parte da manhã. Já pelo balanço da Secretaria Estadual de Educação, 85% das escolas estaduais funcionaram total ou parcialmente, o que não significa que os alunos necessariamente tiveram todas as aulas programadas para a terça-feira.
REUNIÃO
A terça-feira também foi marcada por uma reunião entre o presidente da App-Sindicato, Hermes Leão, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, e a secretária da pasta, Ana Seres. Leão destacou a necessidade de "consolidar os direitos conquistados por décadas e que estão bastante ameaçados na atualidade". Nesse sentido, a Secretaria Estadual de Educação (Seed) reforçou o compromisso de que irá chamar cerca de 300 remanescentes do concurso público feito em 2013 e dar andamento aos concursos para a contratação de funcionários de escolas. Sobre o pagamento das promoções atrasadas, a Seed segue repetindo a justificativa de que só poderá tratar disso em 2017, dada a indisponibilidade de recursos do governo estadual para este ano.
Outras questões que afligem a categoria são as constantes ameaças de retirada dos direitos assegurados por leis como o piso salarial dos professores e o reajuste anual da data-base. "Precisamos consolidar os direitos conquistados ao longo de décadas de lutas", defendeu o presidente da APP-Sindicato. A Seed se compromete a estudar a possibilidade de pagamento de complementação do vale-transporte dos funcionários da educação, bem como de avaliar a equiparação dos vencimentos de 8 mil servidores estaduais da educação ao mínimo regional. Tais questões serão discutidas novamente no dia 14 de setembro em uma nova reunião agendada entre governo e a APP-Sindicato.


