Curitiba- Professores da rede estadual de ensino tomaram conta, ontem, das galerias da Assembléia Legislativa para um manifesto por melhorias salariais e condições de trabalho, que aconteceu paralelamente à mobilização nacional em defesa da educação pública. Os docentes do Paraná pedem, entre outras coisas, agilidade na votação do projeto de lei que prevê reajuste no piso inicial da classe e estabelece plano de carreira para funcionários das escolas.
  ‘‘Nós viemos buscar o apoio dos parlamentares para a aprovação do projeto de lei 149 que equipara o salário dos professores ao de outros servidores de nível superior do Estado’’, esclareceu o secretário de imprensa do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), Luiz Carlos Paixão da Rocha.
  Segundo ele, a diferença do piso salarial dos docentes para outras categorias é de 56,94%. No Paraná, o manifesto teve, ainda, uma outra motivação: a comemoração dos 59 anos de fundação da APP-Sindicato.
  O que figurou, ainda, entre as reivindicações foi o reforço da segurança nos estabelecimentos públicos de ensino, diante dos casos recentes de violência e vandalismo. Pela manhã, pais, alunos, funcionários e professores do Colégio Estadual Anita Canet, em Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba, haviam manifestado, em protesto realizado em frente à escola, indignação com as freqüentes brigas de gangues e com o consumo de drogas.
  No último domingo, o Colégio Vila Ajambi, em Almirante Tamandaré foi depredado por vândalos, que destruíram portas e janelas, roubaram equipamentos eletrônicos e espalharam o suprimento de merenda por toda a escola. A comunidade escolar se reuniu em mutirão para limpar o colégio. Na reunião semanal do secretariado, o governador Roberto Requião (PMDB) chegou a afirmar que o arrombamento não passava de ‘‘armação’’ da imprensa. ‘‘O governo precisa atuar em duas frentes: uma de coerção para garantir a segurança e outra de investimento em políticas sociais’’, defendeu Rocha.
  A mobilização fez parte da 7ªSemana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública. Nas escolas estaduais, as aulas tiveram apenas meia hora de duração. O restante do tempo foi dedicado a debates sobre vários temas envolvendo valorização profissional e investimentos na educação.
  A Secretaria de Estado da Educação informou, em nota distribuída pela Agência Estadual de Notícias, que cerca de 90% dos 2,1 mil estabelecimento de ensino tiveram aulas normalmente ontem, rejeitando a mobilização proposta pela APP-Sindicato de reduzir de 50 para 30 minutos a duração das aulas. Para o diretor-geral da secretaria, a baixa adesão seria uma demonstração do reconhecimento dos professores a política educacional do atual governo.

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