Curitiba – Depois de mais de três horas de duração, a terceira e muito provavelmente definitiva rodada de negociações entre o Governo do Paraná e a entidade representativa dos professores estaduais terminou ontem com avanços. O fim da paralisação, que entra hoje em seu 18º dia, porém, ainda depende da convocação de uma assembleia geral da categoria, cuja data deve ser definida nesta manhã pelo comando de greve. A expectativa do Executivo é de que as aulas nas 2,1 mil escolas públicas do Estado sejam retomadas na próxima segunda-feira. Por enquanto, os docentes permanecem acampados em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba.
Durante o encontro de ontem, conduzido pelo chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra (PSD), pelo secretário de Estado da Educação, Fernando Xavier Ferreira, e pelo líder do governo na Assembleia Legislativa (AL), Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a gestão do governador Beto Richa (PSDB) se comprometeu a pagar integralmente, numa única parcela, o 1/3 de férias restante dos servidores até 31 de março. No total, o impacto financeiro previsto é de aproximadamente R$ 150 milhões, sendo R$ 116 milhões para educadores, incluindo Educação Básica e Ensino Superior.
Também foram acertados itens como o porte das escolas, a superlotação de turmas e a retomada de programas de contraturno escolar nas disciplinas de educação física e língua estrangeira. Segundo resolução da própria Secretaria de Estado da Educação (Seed), o número máximo de alunos por classe no 6º e no 7º ano é 30; para o 8º e o 9º ano são permitidos até 35 estudantes e, para o Ensino Médio, até 40 educandos. Além disso, foi confirmada a convocação dos 5.985 professores aprovados no último concurso – cerca de 5,5 mil anunciados ainda em janeiro e mais 463 que eram reivindicados pela categoria.
"O governo é democrático, transparente e aberto ao diálogo. Por isso que nós estamos aqui, ao longo desse tempo todo, fazendo essa discussão. Temos 200 dias de aula a cumprir. Existe entendimento para que a gente vá fazer essa reposição adequadamente, para que os alunos não sejam prejudicados. Com toda a certeza, é um desejo da sociedade, dos professores e do governo que as aulas recomecem o quanto antes", afirmou Sciarra. Em relação às progressões e promoções, previstas pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), ele assegurou que serão quitadas a partir de maio, no caso dos administrativos, e a partir de junho, para os professores.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (APP Sindicato), Hermes Leão, disse que houve de fato um esforço muito intenso de avançar na pauta. "Um exemplo é a retomada dos programas que são importantes para as escolas, como o do esporte, o Mais Educação e a hora de treinamento", opinou. No entanto, ele considerou o prazo para cumprimento do PDE "dilatado". "Por isso que a gente precisa avaliar coletivamente. Nós, da comissão de negociação, não temos autoridade para dizer se isso será suficiente para a suspensão da greve", argumentou.

Imagem ilustrativa da imagem Professores podem votar fim da greve
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