Professores planejam atos em 30 cidades
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - Depois de passarem o Carnaval acampados em frente ao Palácio Iguaçu, os professores estaduais do Paraná marcaram uma grande mobilização para hoje, data em que acontece a primeira reunião de negociação entre a categoria e o Governo do Estado.
Em Curitiba, o ato começa às 10 horas, no gramado que dá acesso à sede da administração estadual, e deve seguir até as 14h30, quando o chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra (PSD), receberá os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato). Já em Londrina, os manifestantes se reúnem às 9 horas, na APP local, de onde seguirão até o Núcleo Regional de Educação (NRE). A ideia é promover ações descentralizadas nos principais NREs do Estado.
"Estamos chamando de mobilização dos 100 mil, porque queremos reunir 100 mil servidores, em 30 atos confirmados pelo Estado", afirmou o presidente da APP, Hermes Leão. Segundo ele, apesar de o Executivo falar que a prioridade é garantir a volta às aulas, a greve, que já dura dez dias, tende a continuar. "Nós entregamos a pauta de reivindicações em 9 de fevereiro, logo após a nossa assembleia. É preciso recolocar funcionários nas escolas, abrir novas turmas pois muitas estão superlotadas , dar posse aos concursados... Esperamos que todos esses itens sejam atendidos", disse.
Na reunião, Sciarra deve reafirmar a intenção de pagar as indenizações dos 29 mil professores temporários, os chamados PSS, até o fim do mês, totalizando um gasto de R$ 84 milhões, e de não atrasar os vencimentos de fevereiro. A gestão tucana também garantiu que o 1/3 de férias, cujo gasto estipulado é de cerca de R$ 100 milhões, será depositado em três parcelas, sendo a última delas em abril. "Queremos estabelecer esse diálogo, para que possamos ter a normalidade da volta às aulas e avançar nos entendimentos durante as negociações", disse o secretário, em nota. O Executivo não informou se o governador Beto Richa (PSDB) estará presente no encontro.
Sciarra também contou que os projetos do "pacote de austeridade", retirados de pauta para "reexame", devem retornar à Assembleia Legislativa (AL) na próxima semana, informação que desagradou a cúpula da APP. Entre as modificações acordadas, mesmo antes da histórica ocupação da AL, estão a manutenção do anuênio, do quinquênio e das progressões e promoções asseguradas pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). "Não aceitamos que projetos que retiram direitos sejam reapresentados. Isso já cria um impasse na negociação. O governo insiste em colocar nas costas do serviço público os erros da má gestão financeira do Estado", rebateu Leão.
Desde o encerramento da polêmica sessão de quinta-feira na AL, os docentes se revezam no acampamento. Além das barracas, montadas sob uma cobertura de lona, os grevistas têm à disposição banheiros químicos e uma cozinha improvisada. Durante o Carnaval, houve atividades culturais, saraus e até mesmo a passagem do "bloco do camburão", com marchinhas alusivas à forma como deputados da base aliada chegaram ao prédio da AL para a plenária.


