Curitiba- Entre discursos feitos por líderes da Via Campesina, da CUT e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contra a Organização Mundial do Comércio (OMC), professores da rede estadual seguiram ontem em passeata até o Palácio Iguaçu, em Curitiba, onde representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) foram recebidos pelo secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana. O protesto começou por volta das 9 horas, na Praça Santos Andrade, e reuniu cerca de 1.500 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM).
Os professores entregaram, durante a audiência com o governo, duas principais reivindicações da categoria - reajuste salarial e a criação de um Plano de Carreiras específico para os funcionários de escolas. O presidente da APP-Sindicato, José Lemos, também encaminhou ontem à Assembléia Legislativa dois projetos. ''Não vamos esperar o governo'', disse ele.
Lemos informou que ontem foi realizada a nona greve de 24 horas dos professores da rede estadual só nesta gestão. ''Acredito que houve uma adesão de mais de 90%. E também houve manifestações nas cidades pólos do Paraná'', disse. A assessoria da Secretaria Estadual de Educação, no entanto, afirma que apenas 15% dos professores aderiram à greve.
Em Londrina, os professores da rede estadual de ensino se reuniram pela manhã no Calçadão para protestar contra as condições de trabalho nas escolas públicas do Paraná. Londrina tem 76 colégios e reúne 8 mil professores.
''Temos uma assembléia estadual marcada para a primeira quinzena de abril. Se não houver negociação, podemos entrar em greve, a partir de agosto'', avisou o presidente da APP-Sindicato em Londrina, Nelson Antônio de Oliveira.
O governo do Paraná, através da agência de notícias, acusou a APP-Sindicato de fazer ''manobras para simular uma maior presença de professores no ato''. Uma nota veiculada pela APP-Sindicato em rádios e televisões, segundo afirmou o governo, teria induzido alunos e professores a faltarem às aulas ontem.
''A irresponsabilidade cabe ao Estado em mandar os alunos para escola sem professores. Nós avisamos os pais com antecedência e temos o direito de fazer greve. Acredito que o Paraná faça parte do mundo civilizado, onde existe respeito a organização dos trabalhadores'', rebateu o presidente da APP-Sindicato.
De acordo com a Secretaria de Educação, o governador Roberto Requião disse na manhã de ontem que só consideraria a possibilidade de atendimento das reivindicações se as conversas acontecerem diretamente com os professores, sem intermediação da APP-Sindicato. (Colaborou Alan Maschio)

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