Professores iniciam greve de fome
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de junho de 1998
Agência Estado 
Nove professores universitários iniciarão às 15 horas de hoje uma greve de fome no auditório dos Dois Candangos da Universidade de Brasília (UnB). O objetivo é forçar o Ministério da Educação a atender às reivindicações dos professores das universidades federais, que estão em greve há 75 dias exigindo um aumento salarial de 48,65%, o pagamento de salários atrasados e o fim do programa de remuneração por meio de bolsas de estudo.
A decisão sobre a deflagração da greve de fome foi tomada em reunião do comando nacional da greve dos professores realizada às 19 horas de sábado e concluída na madrugada de ontem. O comando não tem o poder de obrigar os professores a entrarem em greve de fome. Mas, aprovamos a iniciativa, disse a presidente da Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Maria Cristina de Morais.
A presidente da Andes explicou que o início da greve de fome se fará com esse grupo de nove pessoas por estarem elas já preparadas para suspenderem sua alimentação. Os nove companheiros já fizeram os exames clínicos necessários, a dieta preparatória e estão num retiro, disse. Ela, no entanto, não descarta a possibilidade de mais adesões ao movimento. O retiro feito ontem na Casa das Salesianas visou, segundo Maria Cristina, preparar psicologicamente os professores para o início do movimento.
Sobre a proposta apresentada pelo ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, na noite da última sexta-feira, a sindicalista disse que o pronunciamento feito em rede nacional de televisão e rádio não afetou em nada o movimento grevista iniciado no último dia 31 de março. Ele falou sobre o pagamento dos atrasados de maio. Mas não sabemos nada sobre junho, afirmou.
Os professores, de acordo com Maria Cristina, não têm certeza sobre o recebimento em dia dos salários referentes a junho. Ela também lembrou que, antes de entrarem em greve, os professores já viviam com salários em atraso e completou dizendo que este não é o problema.


