Porto Alegre, 07 (AE) - Os professores da rede pública estadual do Rio Grande do Sul entram em greve nesta quarta-feira (9) e devem ficar parados até sexta-feira. Eles querem reajuste salarial de 190%, com aumento do piso básico para 20 horas-aula semanais, congelado há dois anos, de R$ 129,00 para R$ 377,00. Para os funcionários das escolas, que há quatro anos não recebem reajuste, a reivindicação é de R$ 353,00 para a semana de 40 horas, contra os R$ 121,00 atuais.
O movimento é organizado pelo Centro dos Professores do Estado (Cpers), que reúne 83 mil dos 100 mil trabalhadores do setor. A atual secretária de Educação, Lúcia Camini, deixou a presidência da entidade para assumir o cargo na administração estadual. No dia 30 de abril a categoria parou por duas horas e no dia 4 de maio não houve aula na rede estadual.
Embora a direção do CPERS seja ligada ao PT e à Central Única dos Trabalhadores (CUT), os professores farão greve contra o governo de Olívio Dutra porque "não têm mais como aguentar a situação de miserabilidade que enfrentam", afirmou a atual presidente da entidade, Márcia Dorneles. Ela substituiu a atual secretária da Educação no comando do CPERS e criticou Lúcia Camini por ter saído "diretamente para o outro lado da mesa".
A secretária afirmou que "respeita" a greve dos professores e garantiu que não haverá repressão, mas assegurou que os dias parados serão recuperados para evitar prejuízos aos alunos. Segundo ela, o governo "tem disposição" de buscar a recuperação salarial dos professores "o mais rapidamente possível", mas está limitado pela má situação financeira do Estado. Na sexta-feiros grevistas farão uma assembléia de avaliação que pode decidir pela continuidade da paralisação.
Lúcia Camini admitiu estar "angustiada" pelo fato de fazer parte do governo sem poder atender às reivindicações dos professores. A indicação da ex-presidente do CPERS para a secretaria provocou uma divisão na direção da entidade, que participará da próxima eleição dividida em duas chapas, a Rumo Certo (da atual presidente Márcia Dorneles) e a Avança CPERS, ambas vinculadas ao PT. Uma terceira chapa, a Pó de Giz, reúne representantes de outros partidos como o PMDB, do ex-governador Antônio Britto.

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