Professores gaúchos ameçam greve geral
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 11 (AE) - Os professores da rede pública do Rio Grande do Sul deram hoje prazo até o dia 23 de julho para o governo gaúcho apresentar uma proposta de reajuste à categoria, que está com o salário congelado há dois anos. Se até lá não houver uma resposta concreta da Secretaria da Educação, a categoria poderá decretar greve geral por tempo indeterminado no segundo semestre.
A decisão do magistério foi tomada hoje em assembléia geral no último dos três dias da greve de advertência que, segundo o Centro dos Professores do Estado (Cpers/Sindicato), interrompeu mais de 80% das aulas nas escolas estaduais. Conforme a presidente da entidade, Márcia Dorneles, os professores estão "radicalizados" na luta por uma política salarial, previdenciária e um plano de carreira satisfatórios.
Márcia Dorneles explicou que o Cpers também vai instalar painéis nas escolas com a "contagem regressiva" até o dia 23. No mesmo período serão feitas ainda "vigílas semanais" diante do Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul.
O magistério estadual quer que o salário-base para 20 horas-aula semanais seja aumentado de R$ 129,00 para R$ 377,00. Para os funcionários das escolas, que há quatro anos não recebem reajuste, a reivindicação é por uma remuneração mensal de R$ 353 00 para a semana de 40 horas, contra os R$ 121,00 atuais.
A assembléia também repudiou o documento encaminhado ontem pelas secretarias da Educação, Fazenda e Administração que reitera a disposição para o "diálogo" e relaciona alguns avanços concedidos aos professores, como a redução da carga horária em sala de aula. Conforme Márcia Dorneles, a categoria rejeitou o "método" empregado pelo governo, de enviar a nota apenas na véspera da assembléia geral, impedindo que a base pudesse discutir seu conteúdo mais profundamente.
Logo após a assembléia, a secretária da Educação, Lúcia Camini, disse que vai manter o "processo de discussão sério e transparente" com os professores até o dia 23 na tentativa de "construir as condições para evitar a greve". Ela não comentou se o governo terá algum índice concreto de reajuste a apresentar neste período, mas afirmou estar disposta a buscar uma "nova matriz salarial" através de uma comissão com a participação dos professores.
Quanto ao documento encaminhado ontem ao Cpers, Lúcia Camini afirmou que o objetivo do governo não foi dividir o magistério, já que não havia nenhuma proposta nova que devesse ser analisada pela categoria. A intenção, segundo ela, foi "formalizar" a posição do Executivo já manifestada ao longo das últimas reuniões com o Cpers.


