Curitiba - Mais de mil professores da rede pública estadual do Paraná realizaram ontem uma mobilização em frente à sede do governo do Estado, o Palácio Iguaçu, em Curitiba, para reivindicar o pagamento de promoções atrasadas da carreira, discutir a situação dos funcionários com contratos temporários, os chamados PSS, e questionar o suposto fechamento de escolas no interior, entre outras pautas da categoria. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), a adesão nas 2,6 mil instituições de ensino foi de 70%. Levantamento da Secretaria de Estado da Educação (Seed) apontou, por outro lado, que 90% das escolas funcionaram normalmente. O dia letivo deve ser reposto, em data ainda a ser divulgada.
O protesto foi marcado para a data em que ocorreriam as eleições dos novos diretores. O processo foi suspenso após a aprovação de uma mensagem governamental pela Assembleia Legislativa (AL), no início de novembro, que também prorrogou os mandatos atuais em um ano.
Durante a atividade na capital paranaense, a qual juntaram-se educadores de municípios das demais regiões do Estado, incluindo Londrina, houve uma votação simbólica. Os participantes responderam, em urnas de papel, se eram favoráveis ou não à realização do pleito.
A mobilização foi encerrada por volta de meio-dia, quando os professores foram recebidos pelo secretário Paulo Schmidt. Também aconteceram atos pontuais em outras cidades. "Colocamos (na reunião) os principais itens da nossa pauta de reivindicações e fizemos toda uma cobrança quanto à forma como o governo encaminhou a modificação da lei da eleição dos diretores", contou o presidente da APP, Hermes Silva Leão.
De acordo com ele, o atraso no pagamento das promoções e progressões atrasadas já soma R$ 70 milhões. O presidente também disse ter recebido denúncias de que o governo estaria impedindo matrículas em turmas iniciais e finais do Ensino Fundamental, o que seria uma forma de, "daqui a dois ou três anos, extinguir a oferta". A situação estaria ocorrendo nas regiões de Londrina, Francisco Beltrão, Arapongas e Curitiba, onde haveria problemas, ainda, com a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Por meio de nota, Schmidt disse que a pauta apresentada pelos sindicalistas é a mesma que já vem sendo tratada regularmente com o governo. "A reunião poderia ter sido feita sem a menor necessidade de um movimento de paralisação, que prejudica escolas, professores e, principalmente, os alunos", destacou. Ele chamou de "grande inverdade" os boatos de fechamento de escolas. "Estão querendo confundir a reorganização de turmas para o próximo ano letivo, processo que acontece historicamente nessa época."
Schmidt admitiu que em algumas regiões houve queda nas projeções de matrículas, no entanto, falou que a reorganização do atendimento faz parte do trabalho de planejamento da pasta. Haverá uma reunião específica sobre o tema, na próxima terça-feira, para tratar de casos pontuais. Quanto à elaboração da nova lei para eleição dos diretores, em 2015, ele garantiu a "ampla participação da sociedade".
O secretário informou ainda que a última parcela das progressões e promoções, referente a 2013, será paga ainda em novembro, mas que o governo precisa de uma definição orçamentária e financeira para começar a quitar os débitos de 2014. A questão dos PSS, por outro lado, pouco avançou. Schmidt afirmou que os estudos feitos pelo Estado demonstram que seria necessário um investimento de R$ 19 milhões por mês. "Este valor representa mais que o dobro do custo de programas de contraturno escolar, que compõem a jornada das escolas, por exemplo", justificou.

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