Professores exigem saída de secretária
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sábado, 31 de março de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Agitando cartões vermelhos, cerca de 500 professores de todo o Estado se reuniram ontem no Colégio Vicente Rijo, em Londrina, para exigir a saída imediata da secretária estadual de Educação, Alcyone Saliba. Na reunião, promovida pela APP-Sindicato, os professores prometeram paralisar as aulas na próxima sexta-feira, em sinal de protesto. O governo estadual, segundo os professores, está sucateando o ensino público.
Os professores reivindicam a revogação da Resolução 3.641, imposta em dezembro do ano passado pela Secretaria de Educação. Segundo o presidente estadual da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, a Resolução reduziu a carga horária das aulas e demitiu professores e funcionários. Cerca de três mil professores e funcionários ficaram desempregados, reclamou.
Entre as medidas estaduais implantadas em dezembro, também estão o desmonte da direção e extinção de equipe pedagógica de colégios com menos de 160 alunos. Escolas com até 300 alunos ficaram com apenas 20 horas de direção, informou Miranda. Ele disse que os professores querem o retorno da grade curricular de 2000. Ao voltar das férias encontramos a Resolução, tomada arbitrariamente. O desestímulo não atinge apenas o professor, mas também os alunos não estão satisfeitos.
Segundo o presidente da APP-Sindicato, parcelas dos salários de dezembro ainda não foram pagas. Como se isso não bastasse, segundo Miranda, muitos professores também não receberam um terço das férias. Contrariando as promessas que havia feito, o governo estadual não promoveu os professores que concluíram especializações. É uma vergonha que o governo não cumpra a palavra empenhada.
O presidente da APP-Sindicato explicou que a secretária Alcyone Saliba encomendou um estudo sobre formas de incrementar qualidade no ensino público. O estudo recomendava que se contratasse mais professores. A secretária jogou o estudo no lixo e fez tudo ao contrário, disse Miranda.
A extinção do Centro Estadual de Educação a Distância (Cead), espécie de supletivo, é outra exigência dos professores. É um absurdo um supletivo onde o aluno conclui 1º e 2º graus em apenas 33 dias. Isso representa a sistematização do caos na educação pública, reclamou o presidente da APP-Sindicato.
No dia da paralisação, marcado para a próxima sexta-feira, os professores levarão todas as reivindicações até o Palácio do Iguaçu. Vamos falar com Lerner e queremos que ele responda pala desqualificação da educação no Paraná, infomou o presidente da APP-Sindicato. Ontem, a Folha não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação.


