Professores estaduais do Rio em greve por aumento; categoria reivindica piso de 5 salários
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Murilo Fiuza de Mello 
Rio, 22 (AE) - Os professores da rede estadual de ensino do iniciaram hoje uma paralisação de 72 horas. A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, piso de cinco salários e a incorporação de três abonos - equivalente a R$ 400. Amanhã (23), ocorrerão atos isolados de protestos em escolas do Estado e quinta-feira deve acontecer uma passeata de dois quilômetros do Largo do Machado, na zona sul, ao Palácio Guanabara, sede oficial do governo.
"O governador Anthony Garotinho diz que nossa greve é político-partidária, mas os professores do Estado cansaram das promessas dele, que desde o ano passado diz que vai aumentar o piso para R$ 1 mil", afirmou a coordenadora-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), Talita Vidal. Hoje, o piso para quem trabalha 16 horas semanais é de R$ 516.
Os professores querem ser recebidos quinta-feira pelo governador, já que, segundo Talita, a secretária estadual de Educação, Lia Faria, não tem mostrado "poder de decisão" para resolver os problemas da categoria. Hoje, Lia Faria não apareceu na audiência pública marcada pela Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), alegando agenda lotada.
Educação - A greve é mais um problema que o governador Anthony Garotinho vem enfrentando na área de Educação desde o início do ano letivo, no último dia 07. Cerca de 20,5 mil alunos da rede não conseguiram se matricular no prazo regular. Até a semana passada, a própria secretária havia prometido que resolveria o problema, mas, segundo a sua assessoria de Imprensa, até hoje 3.345 estudantes ainda estavam fora da escola.
Outro problema enfrentado pela Secretaria de Educação é a falta de professores de física e química na rede. Dos 25,5 mil profissionais, entre os 5,5 mil concursados que já foram chamados e os 20 mil que optaram por dupla jornada, só há dois de física e nenhum de química. De acordo com o Sepe, há colégios estaduais, como o Adelino Castro, em Campos Elíseos, na zona norte, que está há cinco anos sem professores de química.
Para tentar solucionar a falta de profissionais das duas matérias, Lia Faria tem pedido para que professores da rede venham a aderir à dupla jornada. Além disso, a secretária de Educação fez um apelo para que mestres dessas áreas, da rede particular ou já aposentados, aceitem o convite para lecionar no Estado. A partir de quinta-feira, as 27 coordenadorias estaduais de Educação estarão fazendo o cadastramento dos interessados.
A coordenadora-geral do Sepe, Talita Vidal, alega, porém
que a dupla jornada não tem bons atrativos, a começar pela remuneração - R$ 886. "Um profissional com 32 horas semanais ganha R$ 1.032 por mês", afirma. Outra desvantagem, segundo ela
é a impossibilidade de o professor de escolher a escola em que dará aula.


