Londrina – A assembleia dos servidores da rede estadual de ensino, que reuniu cerca de 6 mil pessoas na manhã de ontem, em Guarapuava (Centro-Sul), aprovou por unanimidade uma greve a partir de amanhã nas 2,1 mil escolas do Estado. De acordo com a APP-Sindicato, pais e alunos que forem até as escolas serão recepcionados e informados sobre a greve. Durante a paralisação, que segue por tempo indeterminado, 950 mil alunos da rede estadual ficarão sem aulas.
Os manifestantes chegaram ao ginásio do Guarapuava Esporte Clube já nas primeiras horas da manhã, em ônibus de todo o Estado. Após discursos dos sindicalistas, o presidente da APP-Sindicato Paraná, Hermes Leão, conduziu a votação que aprovou a greve e a pauta, com sete itens de reivindicações, entre eles o fim do "desmonte" do plano de carreiras, pagamento de benefícios atrasados e a reorganização da rede.
Ao todo, são cerca de 50 mil professores efetivos na rede estadual. O sindicato aponta que o efetivo não é suficiente para atender todas as escolas. A APP-Sindicato expõe também os cortes dos funcionários do Processo Seletivo Simplificado (PSS) que faziam a limpeza e administração das unidades. A redução afetou 10 mil dos 27 mil servidores dessas áreas nas escolas estaduais. Na semana passada, o governo autorizou a contratação de 10 mil servidores. O sindicato aponta que seriam necessários ao menos 15 mil e que a proximidade do início das aulas prejudica a qualidade do ensino.
Segundo o sindicato, a insatisfação dos servidores aumentou nos últimos dias "diante da intransigência do governo em atender as reivindicações". Na quinta-feira, o governador Beto Richa (PSDB) encaminhou proposta para a Assembleia Legislativa (AL) que pede a extinção dos quinquênios, amplia a contribuição para a aposentadoria e autoriza o governo a usar o fundo previdenciário do funcionalismo público.
O chamado "pacotaço" foi duramente criticado pelos professores, que marcaram uma manifestação para terça-feira, em frente à AL, para pressionar os deputados e buscar apoio da população. "Os projetos de lei pretendem acabar com décadas de conquistas justas obtidas pela categoria. Esta mobilização estrondosa mostrou que não vamos aceitar essas mudanças que impactam negativamente a qualidade da educação", criticou o presidente da APP-Sindicato em Londrina, Márcio Ribeiro.
Já o diretor da APP-Sindicato, Fabiano Severino, destacou a presença em massa dos servidores e espera a mesma adesão para a "invasão" ao Centro Cívico, na Capital. "É importante a compreensão da população, pois estamos reivindicando melhorias que refletem diretamente na qualidade do ensino."

LONDRINA

Além da assembleia em Guarapuava, o dia foi marcado por manifestações dos funcionários da Educação por todo o Estado. Em Londrina, um grupo de 60 professores se reuniu no Calçadão pela manhã. "Estamos aqui apenas para dar apoio, mas a concentração se deu pela revolta geral dos professores", enfatizou o secretário de organização da APP-Sindicato em Londrina, Nelson Antônio da Silva.
Os professores também participariam de outro protesto marcado para ontem à tarde, com a presença de funcionários da Saúde e servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que também decidiram paralisar as atividades amanhã. Ainda na segunda-feira, às 8h30, ocorre a assembleia do Sindprol/Aduel para deliberar indicativo de greve por tempo indeterminado.

mockup