Professores encurtam aula contra violência
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terça-feira, 10 de abril de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Londrina O dia de ontem foi marcado por uma série de reuniões realizadas simultaneamente entre professores e funcionários da rede estadual de ensino. Em protesto, as 76 escolas estaduais de Londrina e outros 2.100 estabelecimentos de ensino em todo Paraná, dispensaram seus alunos mais cedo que o horário normal. A mobilização, articulada pela APP-Sindicato, faz parte de um calendário de manifestações previstas para acontecer ainda esse mês caso o governo não se manifeste em relação à violência nas escolas e melhores salários para a categoria.
Segundo o presidente da APP-Sindicato, Nelson Antônio da Silva, o protesto estava previsto desde o último dia 31 quando a categoria aprovou a medida em assembléia. ''Estamos protestando contra três tipos de violência, da Emenda 3, a falta de segurança nas escolas e a questão salarial dos professores que recebem 57% a menos que outros servidores do Estado'', disse.
A categoria está preocupada com a possível derrubada do veto presidencial à Emenda 3 pelos parlamentares. Segundo Silva, a emenda, adicionada pelo Congresso Nacional ao projeto de lei que criava a Super Receita, foi vetada pelo presidente da República por pressão dos trabalhadores. ''A medida pode desregulamentar todos os benefícios da classe trabalhadora'', comentou.
Mas a pauta de discussão ainda mais urgente, na visão da maioria dos professores e diretores, é a falta de segurança nas escolas por conta dos últimos acontecimentos envolvendo sequestro-relâmpago e violência contra professores. Na manhã de ontem, as escolas de Londrina ofertaram aulas de meia hora e dispensaram os alunos após a merenda escolar. Os professores e funcionários continuaram nas instituições para debater as pautas de reinvindicação.
Para o diretor do Colégio Estadual Professora Olympia Morais de Tormenta, Antônio Marcos, problemas envolvendo a violência nas escolas já vinham acontecendo antes mesmo do assunto ser levado ao público. ''Dentro das escolas a gente acabava tentando contornar algumas situações e a maioria das pessoas acabam tendo medo de se manifestar. O problema da violência acaba sendo um reflexo da sociedade. Estamos pensando também, em reunir os representantes de cada turma para informá-los sobre o que está acontecendo'', disse.
A ouvidoria do Núcleo Regional de Educação (NRE) informou que nenhum comunicado oficial por parte da Secretaria Estadual de Educação havia sido feito até ontem em relação à paralisação das aulas. Para o Núcleo, as escolas deveriam ter aulas normalmente. Uma reunião com diretores de escolas e com a chefe do Núcleo, também foi realizada na sede do NRE durante a manhã de ontem para discutir a violência nas escolas.
Saúde- Os servidores estaduais da saúde realizaram manifestação, ontem de manhã, em frente ao prédio da Secretaria Estadual de Saúde, pela implantação do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS). Segundo a diretora do Sindicato da categoria, Mari Elaine Rodela, a reivindicação foi entregue em fevereiro de 2003 ao atual governo, mas até agora as negociações não foram abertas.
Uma das implicações da ausência do PCCS, diz Mari, é o descumprimento das jornadas federais legais de cada categoria. ''A secretaria só cumpre as 20 horas semanais do médico'', diz, lembrando que outras categorias, mesmo tendo jornada estabelecida de 20 ou 30 horas semanais estão sendo obrigadas a cumprir 40 horas.


