Curitiba – Professores e servidores da rede estadual de educação decidiram ontem à tarde pela continuidade da greve, que completa 12 dias hoje. A assembleia da categoria reuniu cerca de 8 mil pessoas e ocorreu no estádio da Vila Capanema, em Curitiba. Não está definida ainda a data de uma nova assembleia, mas a expectativa é que aconteça na próxima semana. Dessa vez, a continuidade da greve não foi motivada apenas pela aprovação do projeto de lei de reforma do fundo previdenciário. Pesaram também na decisão dos servidores as propostas de reajuste salarial apresentadas ontem pelo governo do Estado – maio é data-base da categoria – e uma reunião foi realizada ontem entre representantes do executivo e dos sindicatos dos servidores.
O secretário de Comunicação da APP/Sindicato, que representa a categoria, Luiz Fernando Rodrigues, explicou que o Executivo apresentou três cenários: reajuste de 5%, conforme previsto na Lei Orçamentária em uma parcela; 5% em duas parcelas ou a reposição do IPCA (8,4%) em duas parcelas. "Nós rejeitamos essas duas propostas. A Lei da Data-Base no Estado do Paraná é muito clara: o pagamento do índice dos últimos 12 meses da inflação, que é 8,4%, em uma única parcela. Nós não estamos pedindo reajuste para além da inflação", disse.
Na opinião dele, dificuldades de caixa do governo do Paraná não justificam o reajuste menor do que a inflação do período. "É mais uma assinatura de incompetência de um governo que faliu o Estado do Paraná. Nós, servidores, não podemos mais uma vez pagar as contas de um Estado falido", frisou. Uma nova rodada de negociação está marcada para 12 de maio. O presidente da APP, Hermes Leão, evitou falar em reposição de aulas, preferindo tocar no assunto quando a greve terminar. Hoje, um comitê formado por servidores estaduais viaja a Brasília com o objetivo de apelar ao Ministério da Previdência e a Procuradoria Geral da República pela anulação da sessão da Assembleia Legislativa que aprovou projeto de lei que muda a Paranaprevidência.

MANIFESTAÇÃO
Antes de partir para a assembleia na Vila Capanema, os professores participaram, junto com outros servidores estaduais, de um ato público na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu e à Assembleia Legislativa. A manifestação ocorreu em repúdio à ação violenta da Polícia Militar (PM) no histórico 29 de abril, quando mais de 200 pessoas ficaram feridas, a maioria professores. Segundo os organizadores, cerca de 20 mil pessoas participaram do protesto de ontem, entre elas lideranças de sindicatos de trabalhadores de vários Estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
Os manifestantes carregavam bandeiras, faixas e cartazes que pediam a saída dos secretários da Educação, Fernando Xavier, e da Segurança Pública, Fernando Francischini. A principal frase entoada durante todo o trajeto entre as praças 19 de Dezembro e Nossa Senhora de Salete foi "Fora, Beto". Na grade de ferro em frente à AL, eles colocaram flores brancas, adesivos e cartazes.
A professora Elaine Aline Araújo, de Curitiba, ficou emocionada ao lembrar das cenas de violência da semana passada. "Não dá para acreditar que um governador que está para governar o Estado tenha coragem de colocar uma força bruta para cima dos professores. Foi muito chocante", comentou. Coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Minas Gerais, Beatriz Cerqueira viajou para Curitiba representando nove entidades. "Viemos prestar nossa solidariedade aos professores do Paraná. Nós sabemos o que é a truculência porque vivemos isso durante a nossa greve de 112 dias (2011)", disse.

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