Professores e pais protestam na frente da Secretaria Municipal da Educação de SP
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Juliana Junqueira e Gabriela Athias 
São Paulo, 03 (AE) - Cerca de 1,5 mil professores da rede municipal de São Paulo fizeram hoje uma manifestação na frente da Secretaria Municipal de Educação contra o atraso de salário e vale- transporte, a diminuição do valor do vale-refeição de R$ 6,00 para R$ 4,00 e o corte do adicional de difícil acesso dos docentes que moram longe da escola. Os professores também querem a suspensão do decreto que muda o dia de pagamento dos servidores da educação. Eles ameaçaram não retornar às atividades na próxima segunda-feira, na volta às aulas.
Pais de alunos sem-vaga da periferia da zona sul também protestaram hoje durante todo o dia na frente da Secretaria Municipal. Ao meio-dia, cerca de 60 pessoas, entre adultos e crianças, invadiram a ante-sala do gabinete do secretário João Gualberto Menezes. Eles querem que a Prefeitura transforme em escola um prédio da Secretaria de Estado da Saúde, desocupado há 10 anos, localizado no Jardim Satélite, zona sul.
No caso dos professores, em janeiro de 1999, os salários passaram a ser pagos entre o quarto e o sexto dia útil do mês. "Há 27 anos o pagamento é efetuado nos últimos três dias úteis do mês", diz Raquel Guisoni, vice-presidente do Sindicato dos Profissionias em Educação no Ensino Municipal (Sinpeem). "Os professores não ficaram sabendo das alterações".
Os docentes também estão com medo de que haja cortes na rede. Segundo informou a Assessoria de Imprensa do sindicato, a secretaria está estudando uma proposta de abertura de um programa de demissão voluntária. Reunião - Uma comissão do sindicato reuniu-se durante mais de duas horas com João Gualberto para apresentar as reivindicações. Ele informou que terá de apresentar as questões ao secretário Municipal de Administração e Finanças, José Antonio de Freitas. O sindicato exigirá, agora, a reunião entre os secretários e a uma solução para o impasse.
Os manifestantes fecharam a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, entre a Rua São Carlos do Pinhal e a Avenida Paulista. O protesto começou às 14 horas, com os professores ocupando todo o quarteirão com faixas e bandeiras. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) montou um esquema para desviar o trânsito da alameda para outras ruas, o que causou congestionamento na região.
Às 16h30, os professores seguiram até a Secretaria Municipal de Administração e Finanças, localizada na Avenida Paulista. Segundo a Polícia Militar, nenhum incidente foi registrado até o fim da tarde.
Muitos docentes estavam revoltados com atraso do pagamento. "É uma falta de respeito", afirmou a professora Sônia Regina Piesco, da Escola Municipal de Educação Infantil Camillo Ashcár, da Cohab Educandário. Segundo ela, o salário de dezembro, que deveria ter sido depositado no dia 29, só foi pago em 12 de janeiro. Sônia também informou que não recebe o vale-refeição desde dezembro.


