Curitiba - Mesmo depois de uma reunião que durou seis horas entre o Governo Estadual e os representantes dos professores, não houve acordo para colocar fim à greve na rede estadual de ensino, que teve início no último dia 9. Ontem, foi o segundo dia de negociação entre as duas partes, mas ainda não houve consenso a respeito de todos os pontos que fazem parte da pauta dos docentes. Com isso, a paralisação por tempo indeterminado está mantida e também o acampamento que os professores montaram em frente à sede do governo no Centro Cívico.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato), Hermes Silva Leão, disse que ocorreram alguns avanços, mas há ainda impasses importantes. Uma nova reunião entre professores e o governo deve acontecer na próxima segunda ou terça-feira.
Leão disse que um dos avanços foi o governo assumir o compromisso de fazer a revisão no número de professores e funcionários nas escolas, o chamado porte de escola. Segundo ele, ainda há um impasse na nomeação de aproximadamente 460 professores que já foram selecionados em concurso público.
O governo também se comprometeu a pagar os valores atrasados para 29 mil professores temporários (os chamados PSS) até a próxima terça-feira, um montante de R$ 84 milhões.
"Insistimos para que o pagamento do 1/3 de férias seja em parcela única, mas o governo ainda não assumiu o compromisso, porque alega que as finanças do Estado estão com muita dificuldade", disse Leão.
Entre os outros pontos de impasse que serão discutidos na próxima reunião, estão a licença-prêmio dos professores, que tinha sido cancelada, e a categoria quer que seja garantida a nomeação de 463 concursados a mais do que os 5.522 que já tinham sido anunciados, uma orientação clara para licenças para os docentes que fazem mestrado e doutorado e a redistribuição de aulas de professores PSS de 20 horas, porque estavam sendo obrigados a pegar 40 horas semanais.
Além disso, a categoria quer discutir nova distribuição de aulas com a abertura de novas turmas, a liberação de programas e projetos pendentes, como salas de apoio e aulas de línguas, e ainda o pagamento de R$ 90 milhões em atraso referentes a promoções e progressões dos professores relativos a 2014.
Hoje, acontece uma reunião do conselho estadual da APP com 200 dirigentes de todo o Estado para avaliar a pauta de reivindicações e as duas reuniões de negociação que aconteceram com o governo nos últimos dois dias.
O secretário estadual de educação, Fernando Xavier Ferreira, assumiu o compromisso de efetivar mil professores concursados, colocar um diretor auxiliar nas escolas que têm três turnos de funcionamento e iniciar as aulas de apoio e atividades complementares no início do ano letivo. Segundo ele, o 1/3 de férias ficou para ser discutido na próxima reunião, e as promoções e progressões com pagamentos atrasados são uma questão de recursos financeiros e ainda serão discutidas. O secretário chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, que participou das duas horas e meia finais da reunião, disse que o Estado não vai "assumir despesas sem que haja perspectiva de receita".
O governo também garantiu que escolas terão pessoal de apoio e professores para a retomada das aulas e das atividades de contraturno nas disciplinas de educação física e língua estrangeira.
Sobre as turmas, a secretaria se comprometeu a enviar uma circular para as escolas para que informem qual a demanda que ainda acham necessária, seguindo os critérios da resolução que estabelece os números mínimos e máximos de alunos por sala para cada etapa de ensino.

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