Professores e funcionários de universidades estaduais protestam na USP
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Cristina Charão 
São Paulo, 05 (AE) - Professores e funcionários das três universidades estaduais de São Paulo - USP, Unicamp e Unesp - abriram hoje o período de negociação salarial com um protesto na frente da reitoria da Universidade de São Paulo. Cerca de mil pessoas, entre estudantes, docentes e técnicos, marcaram presença do lado de fora do prédio, enquanto representantes das entidades sindicais protocolavam a pauta de reivindicações na Coordenadoria de Administração Geral da USP. A intenção era entregá-la diretamente ao reitor Jacques Marcovitch, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp).
No dia 13, o Fórum das Seis - que representa as entidades dos docentes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp - e o Cruesp reúnem-se pela primeira vez para negociar. Os sindicatos prometem ampliar a mobilização e parar novamente as aulas. Professores e funcionários querem 32% de reajuste salarial - 27% na data-base (em maio) e 5% no segundo semestre. A reivindicação inclui os docentes e servidores das faculdades tecnológicas do Centro Paula Souza.
Greve - A possibilidade de greve não foi descartada. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Magno de Carvalho
acredita que poucas vezes a categoria esteve tão mobilizada como agora. A decisão deverá ser tomada na segunda quinzena de abril, quando se encerrarem as negociações oficiais. A segunda e última reunião está marcada para o dia 19. Para Carvalho, a antecipação da data-base para abril, proposta pelos reitores, é uma tentativa de "quebrar a mobilização".
Arrecadação - Segundo as entidades, o aumento de 25% não compromete o orçamento das universidades, que cresceu com o aumento da arrecadação do ICMS. "Com esse reajuste, as instituições continuariam a gastar a mesma proporção das verbas com a folha de pagamento", explica Carvalho. Nenhuma das categorias aceita discutir outras propostas - contratações, revisão dos pisos e abonos - antes da aprovação do reajuste.
A gratificação por produtividade para professores, proposta pela Reitoria da USP, está entre as pautas abolidas da discussão. As associações docentes são contra a quebra da isonomia salarial entre ativos e inativos. A proposta da USP é um aumento de 7% a todos, mais 3% para professores em atividade. Depois, seriam concedidos abonos segundo critérios de produtividade definidos pela reitoria. "Isto significa instalar uma competitividade entre os docentes que não está de acordo com o conceito de universidade", disse o coordenador do Fórum das Seis, professor Antônio Luís de Andrade.
A proposta dos reitores e a reação dos docentes apresentam uma situação semelhante à que levou os professores das universidades federais a uma greve de quase seis meses, em 1998.


