São Paulo, 20 (AE) - Professores e diretores de escolas que participam do programa Estadão Educação reuniram-se hoje em São Paulo com três pesquisadores do Media Lab - Laboratório de Mídia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), de Boston, Estados Unidos. Durante o encontro, os pesquisadores falaram principalmente sobre os trabalhos que o Media Lab desenvolve na área da educação, utilizando novas tecnologias de comunicação.
Jack Driscoll, ex-editor-chefe do jornal norte-americano Boston Globe, fez um relato de experiências de jornais de comunidades feitos com a ajuda do Silver Stringers - software desenvolvido por ele no Media Lab que facilita a edição de jornais na Internet. Entre outros exemplos, ele citou o Junior Jornal, feito por 30 estudantes de diferentes países, e o Melrose Mirrors, do qual participam apenas pessoas com mais de 68 anos. Segundo Driscoll, o objetivo do software não é ensinar pessoas a usar o computador mas a se expressarem da melhor maneira possível.
Jornal eletrônico - O Silver Stringers é o software que o programa Estadão Educação usará para a produção do jornal eletrônico que integrará as escolas participantes. As características do futuro jornal ainda serão definidas, com a colaboração de professores e estudantes, mas a reunião de hoje serviu para apontar os conceitos básicos que irão orientá-lo.
Também participou do encontro Walter Bender, um dos fundadores do Media Lab - instituição que surgiu no MIT em 1985, com o objetivo de reunir as diferentes tecnologias de comunicação que estavam surgindo pelo mundo. Bender coordena atualmente o programa News in the Future (Nif), voltado para a área de informação, que tem entre seus patrocinadores o Grupo Estado.
O terceiro pesquisador convidado foi David Cavallo, doutorando do MIT. Ele falou sobre projetos em educação desenvolvidos pela instituição a partir da teoria construcionista, que incorpora conceitos desenvolvidos pelo suíço Jean Piaget e pelo brasileiro Paulo Freire. Na opinião de Cavallo, uma das principais vantagens das novas tecnologias de comunicação aplicadas à educação é permitir aos alunos a descoberta de que são capazes de produzir. "Isso muitas vezes é mais importante do que o produto final", disse.
Os professores convidados consideraram o encontro produtivo. Na opinião de Paulo Vicente Moregola, responsável pelo Centro de Estudos de Informática Educacional do Colégio São Luís, a reuniu serviu para pôr em evidência a necessidade de mudanças de conceitos. "Pelo que vimos, não se trata apenas de investir em parque tecnológico, mas principalmente em material humano." Para Ana Cristina Gianetti, do Colégio Objetivo de Araraquara, o encontro foi estimulante e aumentou as expectativas em relação ao futuro jornal do Estadão Educação.

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