Curitiba - O governo federal tentou evitar a paralisação dos professores das instituições federais de ensino superior (Ifes), mas o tiro saiu pela culatra. O anúncio da publicação, no Diário Oficial de ontem, da Medida Provisória 568/12, que prevê benefícios aos docentes e a outros servidores federais, não conseguiu conter a greve por tempo indeterminado que será deflagrada em todo o País a partir desta quinta-feira.
No Paraná, a categoria também optou por cruzar os braços. Os reitores das instituições - Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Instituto Federal do Paraná (IFPR) e Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) - já foram comunicados da decisão.
A MP 568 substitui o Projeto de Lei nº 2.203/2011, enviado ao Congresso em agosto do ano passado, que prevê ganhos como a incorporação, ao vencimento básico dos professores, das gratificações específicas do magistério superior e de atividade docente de ensino básico, técnico e tecnológico. Além disso, determina reajuste de 4% sobre a tabela de remuneração.
''O que foi divulgado pelo governo não contempla todos os pedidos da categoria, como por exemplo a reestruturação da carreira dos docentes, além de um reajuste de 22% para compensar as perdas dos últimos três anos'', ressaltou Rogério Miranda Gomes, secretário-geral da Seção Sindical da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR).
A categoria pede, entre outros itens, melhorias nas condições de trabalho. O Paraná tem mais de 4,5 mil professores nas quatro instituições federais do Paraná, que contam com 35 mil estudantes. ''O governo poderia ter encaminhado o documento ao Congresso em forma de lei e não como MP. É uma resolução provisória, como o próprio nome diz. Foi uma tentativa de frear a deflagração de greve, mas felizmente os sindicatos mantiveram a posição definida em reunião realizada no último sábado, em Brasília'', reforçou Ivo Pereira Queiroz, presidente do Sindicato dos Professores da UTFPR (Sindutfpr).
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral do Paraná (Sinditest-PR) divulgou nota criticando a MP. O órgão alerta que, além de não conceder nenhum tipo de reajuste para os técnicos-administrativos das Ifes, a MP altera a forma de pagamento dos adicionais de insalubridade e periculosidade. Em assembleias realizadas na semana passada, ficou definida uma greve geral a partir do dia 11 de junho.
O Ministério da Educação (MEC) não quis comentar a decisão da categoria.

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