Professores da UFPR decidem continuar greve
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sexta-feira, 04 de setembro de 2015
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Em votação apertada, os professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) decidiram ontem manter a greve da categoria, deflagrada no dia 11 de agosto. Dos 305 docentes presentes à assembleia extraordinária, realizada no Teatro da Reitoria, em Curitiba, 152 votaram pela continuidade da paralisação e 151 pela volta ao trabalho; outros dois de abstiveram. A decisão foi puxada pelos 26 educadores de Palotina e pelos 22 de Jandaia do Sul, que foram unânimes em apoiar o movimento. Um nova assembleia será realizada na próxima sexta-feira, para avaliar as pautas nacional e local.
Segundo informações da assessoria de imprensa da UFPR, ao final da reunião aconteceu um certo tumulto e o início de um bate-boca entre os participantes, uma vez que a mesa diretora do comando de greve recusou a proposta de recontagem de votos. Entre os professores da capital, 151 eram favoráveis ao fim da paralisação e 91 eram contrários. Já no campus do Litoral, a proporção era inversa: 13 queriam a continuidade e apenas um o término da mobilização. Em nota, a Associação dos Professores da UFPR (APUFPR) lembra que a paralisação é legal e que decisões como a eventual suspensão do calendário acadêmico cabem aos conselhos superiores da instituição.
Motivada pelos cortes no Ministério da Educação (MEC), que ultrapassam R$ 10 bilhões, a greve nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) atinge atualmente 40 universidades em todo o País. A pauta de reivindicações inclui a reversão nos cortes dos orçamentos, com mais investimentos, e melhores condições de trabalho. Os profissionais também pedem a rejeição ao Projeto de Lei Complementar (PLC) 77/2015, de forma a garantir a autonomia universitária, a reestruturação da carreira e a valorização e equiparação dos salários de ativos e aposentados.
OCUPAÇÃO
Além dos professores, os acadêmicos da UFPR seguem paralisados. Desde a última segunda-feira, 150 alunos 50 conforme a universidade - ocupam as dependências da reitoria, impedindo a entrada de profissionais. Ontem, o pró-reitor de Administração, Edelvino Razzolini Filho, entregou a representantes do movimento um documento notificando extrajudicialmente o grupo a desocupar o imóvel dentro de 24 horas. No ofício, ele informa que a entrega do prédio deverá ser feita na presença de servidores e mediante registro fotográfico para a verificação das condições em que se encontra o imóvel.
A instituição também ameaça suspender o pagamento de bolsas estudantis. De acordo com a UFPR, a interdição impede a execução de rotinas administrativas, prejudicando ainda o repasse de verbas para colaboradores eventuais, fornecedores e prestadores de serviços. Os manifestantes, por sua vez, reclamam do corte de energia elétrica e água, além da falta de diálogo com a reitoria. Eles pedem a continuidade da negociação e a convocação de uma reunião do conselho para debater a suspensão do calendário, com abono de falta dos grevistas.


