Professores da rede pública do RS recusam proposta do governo e entram em greve2/Mar, 18:20 Por Sandra Hahn, especial para a AE Porto Alegre, 02 (AE) - O magistério gaúcho recusou hoje proposta salarial apresentada pelo governo do Estado e decidiu entrar em greve. A paralisação atingirá 1,48 milhão de alunos em 3.052 escolas da rede pública estadual. Em uma assembléia que reuniu milhares de professores, durante a tarde, a categoria interrompeu uma trégua que havia concedido ao governador Olívio Dutra (PT) até o começo do ano letivo para que ele formulasse sua política salarial. Esta é primeira greve enfrentada pelo governador, que teve apoio majoritário dos professores em sua eleição, em 1998. Durante as negociações com o magistério, o governo reformulou parcialmente sua proposta original, apresentada no dia 21 de fevereiro. Sem mexer no índice de reajuste - 10% divididos em duas parcelas em março e julho -, acrescentou uma mudança nos níveis de carreira. A medida atendia a uma antiga reivindicação da categoria, mas não foi considerada suficiente, pois seria implementada em 24 meses. O governo divulgou que, como estava formulada originalmente, a proposta representava gastos adicionais de R$ 170 milhões ao ano com os 80 mil professores. O custo iria piorar o desempenho das contas públicas, que acumulariam, antes do reajuste, um déficit de R$ 560 milhões este ano. Depois de aprovar a greve, os professores fizeram uma caminhada do ginásio, onde foi feita a assembléia, até a frente do Palácio Piratini, sede do governo, percorrendo uma distância de cerca de três quilômetros. "Estamos solicitando à população do Rio Grande do Sul para que continue mantendo seus filhos em casa", recomendou a presidente do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato), Juçara Vieira. A greve mais longa na história do magistério gaúcho foi deflagrada no governo Pedro Simon (PMDB), em 1987, quando durou 96 dias. O ano letivo no Estado deveria ter começado ontem, 1º de março, mas foi prejudicado por causa da assembléia do magistério que estava marcada para hoje. Como esperavam o resultado do encontro, os professores pediram aos pais para que não enviassem seus filhos às escolas públicas. O governo não havia divulgado, até o fim da tarde, levantamento do número de escolas sem aulas.