Curitiba – A três meses do encerramento do ano letivo, professores da rede pública estadual têm reclamado do fechamento de turmas em escolas do interior do Estado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (a APP-Sindicato), Hermes Leão, diversas instituições já receberam ligações dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) informando da decisão e determinando que os alunos fossem remanejados para outras salas. A situação foi verificada em quatro classes de Londrina, em duas de Prudentópolis (Centro-Sul) e em outras seis de Bela Vista do Paraíso, Guaraci, Rolândia e Ibiporã (municípios da Região Metropolitana de Londrina). Conforme a APP, não houve, porém, qualquer comunicado formal por parte da Secretaria da Educação (Seed).
No caso de Londrina, aconteceram mudanças nos colégios estaduais Professora Célia Moraes de Oliveira ( 1º ano), Professora Rina de Jesus Francovig (9º ano), Antônio Moraes de Barros (6º ano) e Humberto Puiggari Coutinho (7º ano). Em entrevista ao Portal Bonde, a chefe do NRE, Lúcia Cortez, disse que o remanejamento é natural e fruto de um processo de "otimização". "A Secretaria recomendou nove fechamentos, mas optamos por quatro após análise dos casos", afirmou. A assessoria de imprensa da Seed alegou não ser possível divulgar o balanço total de salas fechadas.
Em nota, a pasta argumentou que houve uma migração de educandos para a rede particular de ensino devido à greve de professores e funcionários ocorrida no primeiro semestre de 2015. "Como consequência, algumas turmas de escolas da rede estadual de ensino estão sendo unidas – por causa do número reduzido de alunos. A junção de turma é uma ação prevista, desde que não ultrapasse o número de estudantes previsto em resolução da própria Secretaria", justificou. O decreto 4527/2011, da Seed, estabelece como limite máximo 25 a 30 estudantes para o 6º e o 7º ano, 30 a 35 para o 8º e o 9º e 35 a 40 para o Ensino Médio.
De acordo com Leão, mesmo que não haja superlotação nas classes mantidas, a situação é difícil, porque desorganiza o trabalho de vários professores, incluindo os temporários. "O governo só olha para a redução de gastos financeiros. Não vê que estamos a poucos meses do fechamento do período letivo. Nós vamos acompanhar esse processo e resistir. Sem aviso oficial, por telefonema, não dá para aceitar", criticou. Segundo ele, os estudantes e educadores não podem ser prejudicados pelos cortes. "Essa é uma gestão com uma ideologia muito voltada ao ajuste financeiro, mas é preciso pensar na condição das pessoas".

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