Professores da rede estadual ocupam Palácio Iguaçu por duas horas
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - Professores e funcionários da rede estadual de ensino ocuparam o hall de entrada do Palácio Iguaçu, por volta das 12 horas desta segunda-feira (18), e só deixaram o local duas horas e meia depois, quando o governo do Paraná aceitou negociar. As categorias protestavam contra a publicação do edital para contratação de profissionais temporários, através do PSS (Processo de Seleção Simplificado). A Tropa de Choque da Polícia Militar chegou a ser chamada para acompanhar a situação. Entretanto, não houve incidentes. Nova reunião entre as duas partes será realizada nesta terça-feira (19), às 17 horas, também na sede do governo do Paraná.
Conforme a APP-Sindicato, que representa a categoria, os vencimentos dos contratados pelo PSS terão diminuição de 13% a cada hora trabalhada em relação às últimas contratações. Um professor recebe hoje R$ 1.415,70 para 20 horas/aula semanais. Em 2018, caso a proposta divulgada na última sexta-feira (15) permaneça, ele receberá R$ 1.227,70, ou seja, R$ 188,10 a menos. No caso de quem leciona leciona 40 horas/aula semanais, a redução seria de R$ 376,20. "Chegamos a um impasse muito grave, que é a ausência de debate na educação. O governo coloca um limite no congelamento de gastos, uma decisão drástica, e nós reforçamos que já apresentamos estudos financeiros e orçamentários mostrando que é possível manter os atuais direitos sem reduzir", afirmou o presidente da entidade, Hermes Leão.
Ainda segundo ele, haverá um ato público, também nesta terça, às 16 horas. "E vamos sim nessa reunião, para colocar a nossa posição de que o governo precisa corrigir o edital e manter os atuais salários. É inadmissível reduzir salário daqueles que já têm o mais baixo salário dentro do serviço público. Hoje, são mais de 21 mil professores. Existe uma pauta de melhoria desse salário, que o governo assumiu em 2014 e jamais aplicou. Se precisa fazer cortes, tem de ser onde há privilégios", defendeu. "O compromisso é de que os secretários da Administração, da Educação, da Fazenda e do Planejamento participem", prosseguiu Leão. "Fizemos uma avaliação coletiva e entendemos que a luta continua. Se a gente não superar esses impasses, inevitavelmente ocorrerá uma greve geral no início do ano letivo", completou. A categoria protestou pelo mesmo motivo em cidades como Londrina, Maringá, Toledo, Paranavaí, Foz do Iguaçu e Cascavel.
Participaram da conversa de ontem o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, o líder do governo na AL (Assembleia Legislativa), Luiz Cláudio Romanelli (PSB), o presidente da Comissão de Educação do Legislativo, Hussein Bakri (PSD), o procurador-geral da Justiça, Olympio Sotto Maior Neto, e os deputados estaduais Professor Lemos (PT) e Péricles de Mello (PT). "Nós fomos chamados para fazer a mediação. Felizmente houve bom senso de todos e está marcada a reunião para debater essa questão que envolve, claro, o orçamento público. Foram feitas opções. Eu já disse que teremos um orçamento R$ 1,2 bilhão menor que em 2017. Há que se ter racionalização de recursos. Eu mesmo sou contrário à redução dos PSS, mas precisamos encontrar alternativas", disse Romanelli.
Em nota, o governo informou que, nos últimos sete anos, a remuneração dos professores temporários da rede estadual teve crescimento de 64%. Em 2010, um profissional contratado pelo PSS recebia R$ 2.001,87 para uma jornada de 40 horas. Para 2018, diz a administração, o edital prevê remuneração de R$ 3.281,20. "Nos dois casos, a remuneração total agrega o auxílio-transporte, que também é depositado em dinheiro. Atualmente, este benefício é de R$ 826,00. O valor é equivalente a R$ 37,55 por dia (para 22 dias úteis por mês) e é pago mesmo durante férias, recesso e licenças, 13º salário e terço de férias."
Rossoni garantiu que o diálogo com a APP é permanente. "Houve uma pequena precipitação. Depois de lançado o edital, resolveram invadir o Palácio. Mas estamos falando em um custo adicional de R$ 180 milhões e o governo precisa agir com a responsabilidade de quem tem que pagar (
) Colocamos para os representantes dos PSS que eles podem encontrar maneiras de ajustar o orçamento da Secretaria da Educação. Agora, aumentar não existe a possibilidade, porque é um compromisso que todos os Estados assumiram. Na reunião [desta segunda], a APP vai poder dizer onde deseja fazer os ajustes. Se apontar, aí o governo tomará uma decisão", comentou. O secretário disse que tem recebido os professores semanalmente. Reforçou, ainda, que o 13º foi pago em dia e que as progressões e promoções das carreiras também foram implementadas.


