Professores criticam falta de política agrária no País
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
Os professores Francisco García Pascual, da Universidade de Lleida, na Espanha e Esther Lobaina, da Universidade de Havana, Cuba, acham que falta uma política para a reforma agrária brasileira mostrar resultados. Os dois participaram ontem, em Maringá, do debate durante o 1º Simpósio Internacional de Educação na Reforma Agrária. Um país com tanta terra ociosa e agricultores sem-terra mostra a falta de empenho do Estado, analisa Esther.
A professora, que é especialista em estudos interdisciplinares na América Latina, Caribe e Cuba, relatou o sucesso da reforma agrária cubana. A partir da revolução (1958) o governo priorizou o campo e hoje nossa reforma está fechada, disse. As grandes propriedades são mantidas pelo Estado para a produção de cana-de-açúcar, principal produto na balança comercial de Cuba. Os trabalhadores rurais, destacou, têm emprego garantido no setor primário da cana.
As pequenas e médias propriedades foram destinadas exclusivamente para a reforma agrária e a produção de alimentos. São todas administradas em forma de cooperativa e recebem ajuda do governo. Hoje, segundo a professora, não existem mais famílias sem-terra em Cuba. No Brasil falta uma política de distribuição de terra e incentivo à produção, comentou.
Já o professor Francisco García Pascual comentou que o governo espanhol insistiu, sem sucesso, durante 150 anos no processo da reforma agrária. A partir dos anos 60, um trabalho sério mostrou resultados. Sumiram as grandes propriedades improdutivas e acabaram os pequenos agricultores marginalizados, disse.
Pascaul relatou que o Estado incentiva, através de subsídios que giram em torno de US$ 5 milhões anuais, a manutenção de uma agricultura comercial mesmo nas pequenas áreas. O objetivo é não apenas produzir alimentos, mas ítens que entram no mercado e garantem renda. A preocupação não se resumiu a uma reforma agrária, mas a um pacto social no campo, disse Pascual. Ela acha que, assim como Espanha, a América Latina precisa de um projeto que priorize o homem no campo e não apenas a divisão de terras. O seminário prossegue hoje com visita a assentamentos da região.


