Servidores da rede estadual de ensino aprovaram, na manhã deste sábado (11), greve por tempo indeterminado a partir do dia 15 de março. Na data escolhida, trabalhadores do setor em todo o país pretendem realizar uma mobilização nacional para sensibilizar o governo contra propostas que prejudicam a categoria.

No Paraná, mais de três mil professores e funcionários participaram da assembleia promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) em Maringá. Com a votação, a categoria já permanece em estado de greve. De acordo com o presidente do sindicato, Hermes Leão, várias atividades serão realizadas até a data marcada para o início da paralisação. "Vamos fazer um conjunto de atividades e de debates envolvendo os estudantes, as famílias e a comunidade", comentou.

Segundo ele, a decisão pela greve ocorreu após uma série de medidas adotadas pelo governo do Estado. Além de recuar na promessa do pagamento da reposição salarial para a categoria, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) reduziu a chamada hora-atividade e alterou critérios para a distribuição de aulas entre professores concursados e profissionais aprovados no Processo Seletivo Simplificado (PSS).

Nas últimas semanas, o descontentamento resultou em quatro ações judiciais. A categoria já obteve duas liminares. Na primeira ação movida pelo sindicato para questionar os novos critérios de distribuição de aulas, o governo conseguiu reverter a decisão em primeira instância e manter as mudanças já estabelecidas pela resolução 113/2017.

A APP-Sindicato também obteve liminar na Justiça para cancelar as alterações feitas na hora-atividade. No entanto, conforme Hermes Leão, "o governo publicou um novo texto para burlar a liminar em vez de cumprir a decisão judicial". "Estamos em uma luta muito difícil com o governo Beto Richa que ainda colocou propagandas para deixar a sociedade contra os professores", afirmou. As outras ações movidas pelo sindicato são referentes a garantia dos direitos dos professores temporários e a necessidade da realização de perícias médicas pelos professores afastados por mais de 30 dias em qualquer período do ano passado.

Segundo Leão, a exigência passou a ser feita aos servidores que se interessaram em ministrar aulas extraordinárias para aumentar a carga horária de trabalho. Porém, os peritos têm concluído que a maioria dos professores está inapta para continuar as atividades. Sem o atestado de aptidão, muitos não conseguiram aulas extraordinárias em 2017. Além da pauta de reivindicações no Paraná, a pauta nacional da greve inclui o protesto contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista.

O comando de greve estadual se reúne no próximo sábado (18), em Curitiba, para insistir que o governo do Estado receba os representantes da categoria e cancele a resolução com as alterações. "Estamos em vigília. A greve pode ser antecipada a qualquer momento", destacou Hermes Leão.

PREJUÍZO
Em nota, o Governo do Estado lamentou a decisão dos servidores e informou que a paralisação "prejudica mais de um milhão de alunos da rede pública estadual". O ano letivo terá início na próxima quarta-feira (15). Conforme o comunicado, os prejuízos das últimas greves realizadas pela categoria foi calculado em, aproximadamente, R$ 100 milhões, considerando a contratação "de professores temporários para a reposição das aulas, merenda estragada e transporte escolar fora do período letivo tradicional". Por fim, o governo reafirma que "as resoluções que tratam da distribuição de aulas têm amparo legal" e que "não vê necessidade de paralisação", já que atendeu a reivindicação da categoria quanto ao pagamento das progressões e promoções no mês passado.

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