Londrina – Depois de dois anos e meio de espera, a professora Maria de Fátima de Souza, de 56 anos, moradora de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), foi atendida ontem por um reumatologista na 17ª Regional de Saúde de Londrina. Após passar por uma consulta em dezembro de 2010 e realizar todos os exames solicitados, somente agora a mulher conseguiu vaga para apresentar os resultados.
"Eu acho um descaso muito grande, um desrespeito completo. Se o médico solicitou os exames é porque a pessoa não está bem. Agora o que vai adiantar eu mostrar os resultados depois de dois anos e meio?", questionou. "Durante todo este período a explicação foi sempre que havia apenas um médico desta especialidade e por isso a demora era grande."
Maria de Fátima sofre de vários problemas de saúde, como lúpus, diabetes, artrite, artrose, bursite, reumatismo e pressão alta. Durante o período que aguardou a marcação de uma nova consulta, a professora precisou pagar por atendimentos particulares em virtude das constantes dores. "Eu tenho muita dor nos rins, nas mãos e nos dedos, além do ombro. Parei de trabalhar há alguns anos em virtude desses problemas e hoje não tenho condições de voltar a dar aula", lamentou. Por isso, já tentou até se aposentar por invalidez. "O juiz falou que como eu estou há muito tempo sem contribuir com o INSS não poderia me aposentar."
A via-crúcis da Maria de Fátima terminou ontem depois de mais de nove horas de espera no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). Ela chegou às 8 horas, passou pela triagem às 15 e foi atendida às 17h10. "A médica falou que os exames já não tinham mais validade e que preciso de outros atualizados. Resta saber quando vou conseguir uma nova consulta", disse, indignada.
Os agendamentos das consultas de Ibiporã junto ao Cismepar são intermediados pela Secretaria Municipal de Saúde. Segundo Maria Leiva, responsável pelo setor de Regulação e Agendamento de Especialidades, a autonomia para marcar as consultas é do consórcio, que leva em conta o grau de risco dos pacientes. "Temos dificuldades mesmo com algumas especialidades como a neurologia e reumatologia. Em outras áreas normalmente a espera não passa de um mês", garantiu.
Maria Leiva ressaltou que o município faz o acompanhamento de todos os pacientes nas Unidades Básicas de Saúde. "Mas o atendimento de média e alta complexidade tem que ser feito em Londrina mesmo."
O Cismepar informou que os diretores responsáveis pelo setor de consultas estavam em viagem e por isso não poderia se pronunciar sobre a situação.

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