Professora paranaense assume SBPC
Agência Folha
De Curitiba
Trabalhar para que as universidades brasileiras se preparem para uma sociedade em que a velocidade da informação é cada vez maior é a prioridade de Glaci Therezinha Zancan, 64, que na quarta-feira assume a presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Professora de bioquímica de microrganismos da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, ela há muitos anos atua na entidade, que iniciou ontem, em Porto Alegre (RS), a sua 51ª Reunião Anual, com o tema central Mercosul: A Queda das Fronteiras.
Sobre suas prioridades à frente da entidade, Glaci Zancan comenta que no mundo inteiro está havendo uma reforma das universidades para adequá-las aos novos tempos, aos tempos de extremo avanço do conhecimento, da informação e dos altos custos da pesquisa. Por outro lado, há o problema de que cada vez mais os conhecimentos científicos passam a fazer parte da vida diária do cidadão. Esse cidadão, por sua vez, recebe a informação, mas não sabe como ela é gerada. Na realidade, só se forma uma pessoa se ela aprender os conceitos todos vivenciando-os. É preciso mudar todo o sistema de ensino. Isso começa na universidade para atingir o primeiro e o segundo grau, defende a professora.
Segundo ela, as universidades têm de formar os professores para que eles pensem de maneira diferente. A universidade que fizer pesquisa e associá-la com o ensino terá futuro. Nós não temos um parque universitário em que a pesquisa seja básica, fundamental. Temos ilhas em todo o país. É preciso universalizar e melhorar essas condições.
A professora defende que o fundamental é a formação do corpo docente. Ela ressalta a importância da existência da oferta de pesquisa para formar a população em ciência, visando acabar com o que se chama de analfabetismo científico. Para ela, as pessoas precisam cada vez mais de conceitos da ciência para trabalhar porque a linguagem está cada vez mais técnica.
Para a implantação desses novos conceitos, o que se precisa, na opinião de Glaci Zancan, é vontade política. É problema de definição de prioridade. Precisamos aprender que somos pobres e temos de definir prioridades. Quanto à atuação do governo federal em relação a universidades, a professora destaca o esforço do Ministério da Educação para universalizar o primeiro e segundo grau com qualidade.
Mas na área da graduação, toda vez que se anuncia alguma novidade, penaliza-se as universidades como se elas fossem extremamente incompetentes e improdutivas. Como elas não são uniformes, isso penaliza os grupos bons, fazendo sofrer aqueles que realmente dão a vida pela instituição. É preciso premiar os bons.





