Londrina - Dois peritos criminais iniciaram ontem os trabalhos de análise do local onde ocorreu a morte da professora Vânia Valéria Gouvea, de 43 anos, e constataram que ela estava em um local proibido no momento do acidente ocorrido anteontem no Teatro Marista.
A docente sofreu politraumatismo ao despencar de uma altura de seis metros ao final de uma apresentação artística, último ato da formatura de estudantes da Escola Premier, locatária do espaço. Ela tentava arremessar bexigas no palco, mas teria se posicionado fora da passarela, em uma estrutura de gesso.
''Onde ocorreu a queda era uma cobertura de gesso acartonado, fora da passarela, estrutura que não foi projetada para aguentar uma carga grande de peso'', afirmou o perito Eduardo Lopes. A perícia apura se na queda a docente bateu a cabeça contra uma caixa de som.
O Teatro Marista segue fechado e o palco é mantido em isolamento até a conclusão do laudo pericial, o que pode levar sete dias. ''É muito cedo para qualquer tipo de conclusão. É necessária a realização de estudos posteriores'', limitou-se a dizer Lopes.
Vânia Valéria Gouvea era uma das 50 colaboradoras da Escola Premier, fundada há 13 anos em Londrina. Ela estava havia apenas um ano na escola e participava da formatura de estudantes da educação infantil e do ensino fundamental.
O velório ocorreu sob muita comoção. Vânia Valéria Gouvea estava noiva e deixou dois filhos. Abalados, parentes e amigos não quiseram falar sobre o ocorrido. O corpo da professora foi enterrado no final da tarde de ontem no Cemitério São Pedro.
A Premier informou, por meio de nota, que está prestando toda ''atenção para dar conforto aos entes queridos'' da docente. Já o Colégio Marista Londrina, também por meio da assessoria, emitiu comunicado lamentando ''profundamente'' a morte.
O Teatro Marista sedia 12 eventos por mês, em média. A agenda deste final de ano estava repleta de formaturas. Segundo a direção do colégio, foram 25 do início de novembro até anteontem, data que marcava o último evento do ano.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar se houve homicídio culposo, quando não há intenção de matar. ''Preciso conversar com as pessoas que estavam à frente da organização (da formatura) para saber e apurar os fatos'', esclareceu a delegada do 3º Distrito Policial, Geane Aparecida dos Santos.
O Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina (Sinpro) promete acompanhar a investigação. A dúvida paira sobre o desvio de função da professora. ''Estamos consternados, ela morreu numa situação extremamente degradante e partilhamos toda solidariedade com os familiares. A partir daí vamos tomar posição sobre as questões trabalhistas, ver como foi apresentado isso (formatura) aos professores e saber em que condições estavam lá'', disse o vice-presidente do Sinpro, André Cunha.

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