O advogado Delano Cruz deu entrada ontem no Fórum Clóvis Bevilacqua, em Fortaleza, ao pedido de exumação do corpo da professor Geisa Firmo Gonçalves, assassinada dia 12, no desfecho do sequestro do ônibus da linha 174, no Rio. Ele informou que viaja amanhã para o Rio, onde solicitará a reconstituição do crime. ‘‘O laudo médico só fala em cerramento transfixante do coração, rim, pâncreas e alças intestinais. Pelas imagens e fotos, está claro que ela levou um tiro ou pancada forte na cabeça’’, justificou.
A suspeita, segundo a família da professora, surgiu porque Geisa teve o cabelo raspado e chegou a Fortaleza, onde foi enterrada, com a cabeça enfaixada. Cruz acredita que o tiro fatal, que teria atingido a professora na cabeça, tenha sido disparado pelo policial do Batalhão de Operações Especiais da PM.
Ontem, os médicos João Pedro Celidônio e Edson Luiz Atallah de Matos, do Hospital Municipal Souza Aguiar, negaram, em depoimento na 15ª Delegacia de Polícia, ter sofrido pressão dos policiais militares que transportaram o sequestrador do ônibus 174, Sandro do Nascimento, para atestar que ele havia morrido por tiro. ‘‘Não fomos pressionados’’, disse Celidônio, que chefiava a equipe de plantão no dia 12.
Quatro soldados e um capitão tiraram Nascimento ainda vivo do local do crime, no Jardim Botânico, mas o sequestrador chegou morto ao Hospital Souza Aguiar, no Centro. O laudo do Instituto Médico-Legal atestou morte por asfixia.
A delegada Marta Rocha que apura o crime tinha informações de que os médicos teriam sido pressionados a registrar que Nascimento fora morto por Perfuração por Arma de Fogo (PAF), apesar de o corpo não ter marcas de bala. Celidônio disse que Nascimento chegou morto ao hospital. O médico Edson Luiz Atallah de Matos, que também prestou depoimento, mas se recusou a falar com os repórteres, foi quem atendeu Nascimento e assinou o documento atestando a morte do sequestrador.

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