A família de Geisa Firmo Gonçalves, 20, não quer vingança. Os parentes querem que o governo do Estado do Rio de Janeiro se responsabilize pela morte dela e pague uma indenização. Para isso, prometem entrar na Justiça. Geisa foi morta ontem durante sequestro a um ônibus na capital fluminense.
‘‘Dinheiro nenhum vai trazer a Geisa de volta, mas temos de tomar todas as providências para que os governantes saibam que ela não era sozinha no mundo, que não era um bicho que podem matar e jogar no lixo’’, disse Marta Firmo, prima de Geisa.
O fato de não ter mais a mãe -Josefa Firmo, morta há dois anos- a motivou a ir para o Rio de Janeiro morar com o namorado. Geisa deixou a escola e viajou. Conseguiu um emprego de professora em uma escolinha de artes na favela da Rocinha, onde ensinava artesanato a crianças.
‘‘Ela não pensou duas vezes. Largou tudo e foi buscar a felicidade. Era sempre assim na vida dela’’, disse a prima. ‘‘Era tanto amor pelo namorado que, antes de pegar o avião, ela foi ao shopping e mandou fazer uma camiseta com o nome dele estampado. Era quase impossível vê-la triste.’’
No IML (Instituto Médico- Legal) do Rio, ficou confirmado que ela estava grávida de dois meses. Geisa havia levantado a suspeita para os parentes, mas não havia confirmado a gestação.
Para o coronel da PM Ivan Macedo, presidente do Clube dos Oficiais da Polícia Militar do Ceará e tio de Geisa, a polícia carioca errou ao tentar libertar sua sobrinha com violência. ‘‘Aconteceu um erro grave. O policial, que tinha uma metralhadora na mão, não conseguiu conter a emoção e quis, com a arma, resolver tudo, ser o herói. Quando ele atirou no bandido, houve uma reação natural, e o sequestrador atirou em Geisa até como uma forma de se defender’’, disse.
Ela foi enterrada ontem no mesmo jazigo onde está a mãe, em Fortaleza. (Agência Folha)

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