São Paulo - Uma professora foi presa sob acusação de assassinar o próprio filho adotivo, de cinco anos de idade, em Pirituba, na zona noroeste de São Paulo. A criança morreu um dia depois de ser espancada. De acordo com a polícia, a mulher disse que não sabe porque cometeu o crime.
Segundo a Polícia Civil, a professora Solange Gusson Machado, 42 anos, espancou Peterson Gusson Machado, 5, por volta das 19 horas da última segunda-feira, na casa da família. O irmão do menino, que tem 4 anos, disse que o garoto sempre era agredido porque vomitava muito.
Os dois foram adotados pela professora em março de 2008. A Vara da Infância e da Juventude do Fórum da Lapa afirma que vai desarquivar o processo e apurar se houve irregularidades na adoção.
Dores
Peterson acordou com muitas dores na manhã de segunda-feira, mas não foi levado ao médico pois Solange e sua tia precisavam visitar um amigo no Campo Limpo, na zona sul. A professora e o filho foram então primeiro se encontrar com a tia em Osasco (Grande São Paulo). Segundo a polícia, ao chegarem à residência, a tia e um vizinho constataram que a criança passava mal. O vizinho chegou a medir a pressão do menino e, segundo a polícia, verificou que estava baixa.
A tia tentou convencer Solange a levar o filho a um hospital próximo, mas ela disse que queria levar a criança ao Hospital do Servidor Público, na região central de São Paulo. Contudo, de acordo com a polícia, Peterson passou mal no trajeto feito de carro e acabou sendo levado a uma Unidade Básica de Saúde em Cajamar.
Ainda segundo a polícia, Peterson morreu antes de receber atendimento, por hemorragia interna na região torácica e abdominal. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), ele tinha hematomas em todo o corpo, inclusive na cabeça. Havia lesões recentes e antigas.
Sem motivo
Guardas civis levaram Solange para a delegacia de Cajamar a fim de registrar a morte. ''Questionei o que ela merecia e ela respondeu: 'Ser presa'. O motivo? Ela não apresentou nenhum'', disse Wagner Agnolon, investigador-chefe do caso.
De acordo com a polícia, Solange admitiu ter dado socos na criança e afirmou não saber o motivo das agressões. Ela foi presa em flagrante, indiciada pelo crime de homicídio doloso qualificado e transferida para uma cadeia pública em Mairiporã (Grande São Paulo).
A professora dava aulas de português para alunos de ensino médio e fundamental nas redes estadual e municipal. Parentes de Solange reclamaram da forma como as crianças foram entregues a ela. ''Antes de autorizarem a adoção, deveriam procurar alguém da família para saber se ela tinha condições psicológicas. Ninguém nunca nos procurou'', disse o irmão dela, Artur Gusson Machado, 41.

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