Londrina - A professora de Educação Física da Universidade Norte do Paraná (Unopar) Denise Madureira foi indiciada por homicídio qualificado pela Polícia Civil como mandante da morte da estudante Amanda Rossi. A professora será intimada nos próximos dias para prestar depoimento. O crime aconteceu na casa de máquinas da piscina do campus Piza da Unopar em outubro de 2007.
O indiciamento da professora aconteceu há um ano, logo após a condenação de Alan Aparecido Henrique, a 21 anos de prisão, e Dayane de Azevedo, a 23 anos, por homicídio qualificado. A polícia, no entanto, preferiu aguardar também o julgamento de Luiz Vieira Rocha, que terminou na madrugada de ontem (ver box), para comprovar os subsídios da investigação e divulgar a informação.
''O nome da professora Denise apareceu logo no primeiro depoimento da Dayane, mas preferimos aguardar os julgamentos. Se eles fossem absolvidos quebraria a nossa tese de investigação, mas como foram condenados comprovou que a nossa linha de trabalho estava correta'', explicou o delegado de Homicídios de Londrina, Paulo Henrique Costa.
O delegado solicitou os autos dos processos usados nos julgamentos e também a ata do júri que condenou Luiz Vieira para poder marcar o depoimento. Costa adiantou que vai aguardar o interrogatório da professora para decidir se pede ou não a sua prisão preventiva.
Ainda segundo a investigação, os outros dois condenados também citaram o nome da professora e confessaram que receberiam R$ 3 mil para cometer o assassinato. Porém, a polícia não conseguiu comprovar se o pagamento foi efetuado realmente. De acordo ainda com as investigações, Denise Madureira seria a única mandante do crime.
''Não surgiram evidências de que outras pessoas tenham participando também como mandantes, mas se aparecerem fatos novos depois do depoimento da professora podemos mudar este pensamento'', ressaltou o delegado.
Para o pai de Amanda, Luiz Rossi, o indiciamento da professora é que o faltava para o fechamento de toda a história do crime. Ele espera que Denise se entregue a polícia. ''É uma notícia boa e finaliza o caso. Depois da condenação dos três executadores aguardo agora a punição dela. Como não acredito que ela vai se entregar e o processo é demorado, vamos esperar até o final para ver'', colocou.
A questão a ser respondida agora é em relação ao motivo do crime. As investigações até o momento não conseguiram chegar a uma conclusão. A expectativa é que depois do depoimento de Denise Madureira a polícia decifre esse mistério. ''A única coisa que podemos afirmar é que existia uma relação de amizade, fora do universo escolar, entre a professora e um grupo de quatro, cinco alunas, e entre elas estava a Amanda. Qualquer coisa além disso é especulação'', afirmou Costa.
A reportagem procurou o advogado da professora, Luciano Bignatti Niero. Ele informou que não havia sido notificado oficialmente do indiciamento. Fora da cidade, Niero adiantou que somente na segunda-feira poderá ter acesso aos autos e a partir daí deve tomar uma posição. ''Desconheço qualquer informação. Até onde estava acompanhando o inquérito não havia nenhum fato novo, por isso não vejo qualquer razão para o indiciamento'', declarou.
A Unopar informou que a professora está afastada das suas funções por motivo de saúde desde o período em que ocorreu o crime.(Colaborou Lucas Emanuel Andrade/Equipe Bonde)

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