Sao Paulo, 29 (AE) - A professora de geografia Lourdes Aparecida Falcone, de 47 anos, foi assassinada dentro de seu carro com um tiro nas costas durante uma tentativa de assalto, na noite de ontem, na região do Parque Continental, zona oeste da capital. Ela dirigia um Golf azul, ano 96, às 22h40, e ao reduzir a velocidade para passar em três lombadas próximas umas das outras, segundo suspeita da polícia, teria sido abordada pelos três ladrões, que se escondiam em um matagal. Assustada, a professora acelerou o carro. Foi atingida pelo disparo. Em seguida, bateu o automóvel em uma árvore.
Policiais militares que faziam ronda pelo local escutaram o barulho de um tiro e, logo depois, o de uma batida. Quando foram verificar o que havia acontecido, encontraram a professora no volante do Golf. Lourdes agonizava e se debatia. Ela foi levada para Hospital Universitário, na zona oeste, mas não resistiu ao ferimento e morreu pouco depois de dar entrada. Os assaltantes fugiram sem deixar pistas. Encontro - O crime ocorreu na Avenida Doutor Francisco de Paula Vicente de Azevedo. Lourdes voltava para casa, que fica na região, depois de ir a um shopping center. No caminho, encontrou seu único filho, o estudante Luiz Falcone de Souza, de 18 anos, que estava em outro carro e também voltava para casa.
Depois de fazer um sinal para a mãe, afirmando que iria na frente para abrir o portão da casa, ele acelerou o automóvel. Mas, depois de alguns minutos, estranhou a demora de Lourdes, que não chegava em casa, e resolveu voltar para saber o que tinha acontecido. Foi quando encontrou os policiais militares, que lhe contaran o que houve. "Estamos chocados e indignados", disse na manhã de hoje Ana Maria Falcone, irmã da professora, no Instituto Médico-Legal (IML). "O que aconteceu com a minha irmã é a mesma história das outras pessoas que foram vítimas da violência: elas saem de casa cheias de vida e não voltam mais".
O corpo da professora foi velado à tarde no Velório Municipal de Osasco, na Grande São Paulo. O enterro estava marcado para as 17 horas no Cemitério do Araçá, no Pacaembu. Cerca de 200 pessoas, entre parentes, amigos e alunos foram ao velório. O crime foi registrado no 93.º Distrito Policial, no Jaguaré, na zona oeste. Mas, por enquanto, os policiais que investigam o caso não têm pistas dos assassinos. Estatísticas - De acordo com o delegado plantonista do 93.º DP Jorge Mariano de Araújo Filho, os principais crimes na região são os cometidos contra o patrimônio. "Aqui, o mais comum é acontecer roubos e furtos de veículos", contou o policial. "Há também casos de roubo de carga e sequestros relâmpagos para a retirada de dinheiro em caixas eletrônicos". Os moradores da região, principalmente da rua onde a professora foi morta, afirmam que assaltos e furtos são comuns. "A maioria das casas aqui já foi roubada", disse a administradora de empresas Irene Peeters, que mora perto de onde Lourdes bateu seu carro na árvore. "Os assaltantes aproveitam, escondem-se no meio das árvores e abordam as pessoas, principalmente no pedaço que tem mais lombadas e onde somos obrigados a reduzir a velocidade do carro".
Segundo os moradores, a comunidade local está se reunindo para arrecadar dinheiro para a construção de um posto policial nas proximidades. "Estamos tentando fazer a nossa parte, pois essa situação não pode mais continuar". Coincidência - Exatamente no mesmo horário e na mesma região foi registrado um boletim de ocorrência no 93.º DP de um outro assalto a um proprietário de Golf. Desta vez, porém, a vítima teve mais sorte, pois, no meio do percurso em que era mantido refém, conseguiu avisar um carro da Polícia Militar que passava pelo local. O roubo ocorreu às 22h40 na Avenida Bolonha. Foi preso em flagrante Rogério Alves de Souza, de 18 anos, que portava um pistola 7,65. "Não vemos aparentemente ligação entre os dois casos, mas nenhuma hipótese está sendo descartada na investigação", afirmou o delegado Araújo Filho.

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