QUEDA DE CONTÊINER
Professora desaparece após acidente
Reprodução/Álbum de FamíliaMISTÉRIOA professora curitibana Beatriz Silva se preparava para defender tese de doutorado na Universidade de São Paulo; à esquerda, Roberto Dionísio, amigo do advogado Orlando Cândido Ferreira, morto no acidente. ‘‘Foi desumano’’, disse. À direita, o advogado James Dantas, que teve uma irmã ferida no acidente. ‘‘Ela nasceu de novo. Foi um milagre’’José SuassunaJosé Suassuna‘‘É inacreditável, ninguém não sabe de nada sobre ela’’, desabafa o marido
Dimitri do Valle
De Curitiba

A família da professora curitibana Beatriz Pierin de Barros e Silva, 30 anos, ainda não sabe quando poderá sepultá-la. O corpo de Beatriz desapareceu após o acidente com o ônibus da Viação Itapemirim na BR-116. Há pelo menos 40 horas, o empresário Sérgio Augusto Amed e Silva, 31 anos, procura por uma pista que possa levar ao paradeiro da esposa, que viajava no ônibus.
Beatriz seria a 18ª pessoa que perdeu a vida na queda de um contêiner que destruiu o ônibus da Itapemirim na madrugada de segunda-feira no município de Miracatu (SP). A carga de 25 toneladas estava numa carreta da transportadora Costa Sul, de Parananguá, dirigida pelo motorista Erlon Santos, que está foragido. A Itapemirim dá o caso de Beatriz como ‘‘em situação não confirmada’’ na relação de vítimas.
O empresário garante que reconheceu a mulher numa fotografia tirada dos corpos que estavam nas ferragens do ônibus. O que intriga o empresário é a falta de registro da entrada do corpo de Beatriz nos Institutos Médicos Legais de Taboão da Serra e Registro, que concentrou a guarda dos corpos.
De acordo com Silva, o cadáver de uma mulher teria sido levado para o IML de Taboão na segunda-feira. A única informação era de que esta pessoa sofreu acidente de trânsito e foi atendida num hospital da região. Alertada pelo empresário, a polícia paulista fez uma checagem nos hospitais e nenhum registro da entrada de Beatriz foi descoberto.
A professora foi procurada pelo marido no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ao fazer o reconhecimento de uma paciente, o empresário deparou-se com uma amiga da professora que também estava no ônibus. Conforme o marido, Beatriz tinha saído de Curitiba para iniciar mais uma semana de aulas na Universidade de São Paulo (USP), onde se preparava para defender uma tese de doutorado. Ela é professora do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ‘‘É inacreditável, simplesmente ninguém não sabe de nada sobre ela’’, desabafou Sérgio Amed e Silva, num telefonema do hotel onde está hospedado em Miracatu.
O empresário tem três hipóteses para tentar encontrar uma resposta. A primeira é de que Beatriz esteja internada em algum hospital que não tenha respondido aos apelos da polícia. Outra suspeita é de que o corpo foi transportado por engano para outro local. Para uma terceira hipótese, ele chega a sugerir a idéia de a mulher ter sido vítima de traficantes de órgãos que conseguiram se apoderar do corpo em meio à confusão.

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