Professora da UEL integra comitê internacional da Covid-19
Pesquisadores analisam questões éticas e morais no enfrentamento da doença
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de maio de 2020
Pesquisadores analisam questões éticas e morais no enfrentamento da doença
Viviani Costa - Grupo Folha 
A professora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Nilza Maria Diniz, é a única brasileira a integrar o World Emergency Covid-19 Pandemic Ethics Committee (WeCope) ou Comitê de Ética Pandêmica de Emergência Mundial da Covid-19. O grupo inclui pesquisadores de 30 países que debatem assuntos ligados ao enfrentamento do novo coronavírus.

Em Londrina, a geneticista atua no Departamento de Biologia Geral do CCB (Centro de Ciências Biológicas). Desde a chegada à UEL, Diniz desenvolveu estudos na área de bioética e se aproximou de pesquisadores de várias partes do mundo, inclusive de profissionais que integram o Eubios Ethics Institute ligado à American University of Sovereign Nations (AUSN) ou Universidade Americana das Nações Soberanas, responsáveis pela criação do comitê internacional.
Para a professora, que também faz parte da diretoria da Sociedade Brasileira de Bioética, os bons alunos da UEL e a qualificação da comunidade acadêmica como um todo contribuíram para o destaque internacional.
“Humildemente estou ali no meio. A UEL me deu condições de investir nessa área da bioética e é importante para a universidade que tenha alguém que possa participar dessas reflexões. Essa proximidade com as instituições e com os outros pesquisadores é benéfica para a universidade. É importante que se possa contribuir, de forma humilde, para essa questão neste momento”, destaca.
O comitê internacional, formado há pouco mais de um mês, inclui profissionais de diversas áreas como saúde, filosofia e antropologia. O grupo analisa questões de forma independente e tem autonomia para promover os debates.
“Gosto do comitê porque acho interessante que a gente tenha grupos com liberdade de pensamento e que eles não sejam submetidos a conflitos de interesse, quaisquer que sejam, políticos ou econômicos. É um comitê multiprofissional e você tem várias visões e concepções sobre o mesmo fato. São vários olhares. Cada área profissional articula o seu saber e o seu vocabulário de maneira própria. Quando você reúne várias visões, você tem uma forma mais robusta de fazer a reflexão. A visão do médico vai ser uma, a do antropólogo vai ser outra, a do filósofo, a do sociólogo e assim por diante, além da diversidade cultural que é muito grande no grupo”, destaca.
Os pesquisadores se reúnem por meio da internet. De Londrina, a professora faz contribuições e questionamentos durante os debates. Entre os temas já apreciados está o uso de máscaras e o distanciamento social como métodos de prevenção à Covid-19. Diniz lembra que o EPI (Equipamento de Proteção Individual) já era utilizado pela população dos países asiáticos antes mesmo da pandemia.
“A ferramenta que a gente tem mais eficaz é a utilização de máscaras e o distanciamento social. É o que a gente tem para o momento. Não temos vacina. Sobre os remédios, há uma confusão completa, total e irrestrita sobre a utilização e eficácia, além de conflitos de interesse”, afirma.
Em artigo publicado no final de abril, o comitê aponta que há evidências científicas sobre as vantagens do uso adequado das máscaras pela população e avalia que a orientação sobre o uso deveria ter sido repassada desde o início da pandemia. “Isso significaria menos pessoas doentes, menos pessoas nos hospitais e, sendo assim, a necessidade de menos EPIs para as equipes de saúde. Estamos aprendendo ao longo da história.”

A pesquisadora frisa ainda que a chamada guerra contra o novo coronavírus, na verdade, representa uma adaptação da população a hábitos que, a partir de agora, farão parte da rotina, já que o mundo terá que conviver com a circulação do novo vírus.
“A urgência da pandemia nas questões práticas faz com que as pessoas não parem para fazer essas reflexões. Você ter um grupo voltado para fazer essa argumentação e fundamentação teórica para auxiliar e dar um apoio às pessoas que estão pensando as questões morais em relação à pandemia, isso é uma ferramenta importante. A sociedade precisa de um pouco mais de atenção no que tem ou não respaldo moral, o que é mais razoável ou não que seja feito nesse momento e no futuro em relação à pandemia”, finaliza a professora.


