Professora da UEL barrada em aeroporto na Espanha
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Londrina- A professora aposentada da Universidade Estadual de Londrina, Lúcia Amaral Hidalgo, embarcou para a Espanha no último dia 3 de agosto para visitar o filho, que vive legalmente há seis anos em terras européias. Barrada no aeroporto de Madri, Lúcia nem sequer chegou a se encontrar com os familiares.
Ela contou à FOLHA que ficou 26 horas em uma sala de detenção do aeroporto com outros seis brasileiros, além de argentinos, chilenos e africanos também barrados. A polícia espanhola permitiu que Lúcia ficasse apenas com alguns objetos pessoais e de higiene. A sala - com vidro espelhado, permitindo apenas aos policiais enxergar os imigrantes - possuía só um banheiro para mulheres e cinco camas sem lençóis ou travesseiros.
Quando chegou ao aeroporto, a aposentada considerou os procedimentos ''normais'' para imigrantes, e só foi perceber que estava detida quando foi encaminhada para a sala destinada aos estrangeiros sem nenhuma justificativa dos policiais. ''Apresentei meus documentos, expliquei que estava visitando meu filho que trabalhava legalmente no país, aí me pediram para aguardar a entrevista. Depois de uma conversa informal, fui levada até a chefe da polícia de imigração que, junto com uma intérprete, voltou a me perguntar os motivos da viagem, e principalmente se eu tinha condições financeiras de ficar por lá''.
Apesar de não ter levado dinheiro em espécie, ela ressalta que tinha cartões de crédito mas não conseguiu fazer saques porque a instalação de um caixa eletrônico para imigrantes - prevista em reunião realizada entre os governos espanhol e brasileiro em abril deste ano - não foi cumprida.
A humilhação sofrida por Lúcia não se resume às 26 horas que ficou trancada na sala de imigração do aeroporto de Madri. Após decidir retornar ao Brasil, antecipando a data da viagem no bilhete que havia comprado, Lúcia foi escoltada por dois policiais até o avião. Ela veio no último assento e teve os documentos apreendidos, sendo liberados pelo comandante da aeronave apenas quando ela desembarcou em São Paulo.
''Recebi um tratamento igual ao de um marginal, um bandido. É um terrorismo psicológico o que fazem com os imigrantes. Apesar de tudo que foi anunciado quando aquela leva de brasileiros ficou presa lá na Espanha, nada mudou. A crise continua e o governo precisa fazer algo para mudar essa situação'', protesta a aposentada.
A reportagem tentou contato com a assessoria da Embaixada da Espanha em Brasília, mas foi informada que não seria possível o contato com as autoridades espanholas porque ontem foi feriado no país.


