Professora cobra pesquisa independente
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segunda-feira, 13 de março de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
A professora Marijane Lisboa, doutora em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e integrante da Associação de Agricultura Orgânica (AAO), alertou para a necessidade dos governos investirem em pesquisas de transgênicos. ''Em parte, os governos têm dificuldade em tomar decisões porque eles só podem se manifestar com segurança sobre o assunto se houver ciência, ou seja, pesquisa'', disse. Outra questão é a independência científica. ''As poucas pesquisas existentes são financiadas por empresas ligadas a produtos transgênicos e que portanto têm interesse em divulgar somente resultados positivos'', alertou.
Conforme explicou Marijane, até agora nenhuma pesquisa serviu de base às decisões dos governos porque todas teriam apresentado resultados não satisfatórios às tais empresas. ''Há cinco anos, um cientista respeitado na Escócia teve sua pesquisa suspensa porque os ratos alimentados com batata transgênica começaram a apresentar deformações no fígado e começaram a morrer mais cedo'', conta.
Outra dificuldade lembrada pela professora diz respeito à falta de recursos para o financiamento de pesquisas. ''Pesquisadores ligados às universidades públicas, por exemplo, precisam fazer convênios com empresas para poderem sustentar a pesquisa, as patentes. Ou seja, é difícil criar uma independência''.
Marijane criticou o fato do governo brasileiro não investir em pesquisas públicas. ''A Lei de Biossegurança foi aprovada tirando a obrigatoriedade de se fazer um estudo do impacto do uso do transgênico no meio ambiente e na saúde. E só foi aprovada porque a comissão nacional de biossegurança era composta por cientistas da área de biotecnologia'', completa.
Garantir a coexistência entre produtos geneticamente modificados e produtos convencionais é possível na avaliação do biólogo suíço Klaus Amman, integrante da organização não-governamental Public Research and Regulation Foundation (PRRF). Ele participa do MOP-3 e integra uma comitiva formada por mais 45 cientistas vindos de diversos países.
O biológo afirmou ser contrário à necessidade de rotular produtos que contenham transgênicos, defendendo que grandes exportadores, como o Brasil, podem encontrar dificuldade na hora de denominar tantos carregamentos devido ao alto custo que acarretaria.
Klaus Amman disse ainda que a PRRF quer ampliar a participação de cientistas nas tomadas de decisão referentes ao Protocolo de Cartagena. Para ele, o transgênico não causa perda da biodiversidade. E afirmou não ter identificado perda de biodiversidade em nenhuma das pesquisas que já realizou com transgênicos. (Com Agência Brasil)


