Ribeirão Preto, SP - O presidente da Câmara Setorial de Biocombustíveis do Estado de São Paulo e professor de química orgânica da USP, Miguel Joaquim Dabdoub Paz, 41 anos, sofreu um atentado a tiros anteontem à noite, dentro de um laboratório do campus da USP, em Ribeirão.
Por volta das 21h30, quatro tiros de pistola foram disparados contra o professor, pela janela, mas ele conseguiu fugir sem ser atingido. O crime ocorreu dois dias depois que Dabdoub registrou um boletim de ocorrência dizendo ter recebido, por telefone, ameaças de ex-alunos, que participavam de pesquisas no Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas).
Dabdoub disse que os alunos roubaram técnicas e informações confidenciais para criar uma empresa privada -a MB do Brasil. A partir dela, iriam negociar contratos com outras empresas para passar o conhecimento sobre o biodiesel produzido a partir da cana-de-açúcar.
O professor também acusou a empresa Dedini, de Piracicaba, de ''aliciar'' os estudantes para obter o conhecimento do laboratório de maneira ilícita. A empresa e os alunos negam as acusações e dizem que vão processar o professor.
O pesquisador disse que estava sentado em sua mesa, de costas para uma janela que dá acesso à área externa do laboratório, quando um tiro atingiu a parede cerca de 10 cm acima de sua cabeça. Em seguida, houve uma sequência de três disparos também na direção de sua cabeça. Alunos que estavam no local presenciaram o fato. Ninguém foi ferido.
Dabdoub pediu, por meio do Ministério da Casa Civil, a intervenção da Polícia Federal no caso.
A USP afirmou que não vai se manifestar sobre o episódio para não atrapalhar as investigações policiais. Pelo mesmo motivo, a universidade também não respondeu quantos homens fazem a vigilância do campus hoje e se irá aumentar a segurança na área. Para entrar na USP, os carros que não possuem o selo da universidade são parados na guarita.

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