Professor queima contracheque no Rio
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quarta-feira, 08 de abril de 1998
Agência Folha 
Professores das universidades federais do Rio, em greve desde o início do mês, queimaram ontem seus contracheques durante uma manifestação no centro da capital fluminense contra o governo federal, que há mais de três anos mantém congelados os salários da categoria.
Cerca de 400 pessoas, entre professores e alunos das universidades, participaram da manifestação. Eles fizeram passeata do Largo de São Francisco até a Cinelândia. De lá, seguiram para a frente do prédio da Delegacia Regional do MEC, na avenida Graça Aranha, onde queimaram seus contracheques e um boneco que representava o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os manifestantes também depositaram em uma caixa de papelão cópias de livros de FHC, entre eles O Modelo Político do Brasil e Autoritarismo e Democratização.
Já que ele disse que deveríamos esquecer o que ele tinha escrito antes de se tornar presidente, resolvemos devolver os livros a ele, disse José Miguel Saldanha, diretor da Seção Sindical da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Entre as reivindicações dos professores universitários, estão reajuste salarial de 48,65%, a retirada do Congresso da medida provisória que criou o Programa de Incentivo à Docência (PID) - que oferece bolsas de trabalho para alguns segmentos da categoria - e o compromisso do governo de que não haverá redução dos quadros funcionais das universidades. Em assembléias realizadas ontem, na Universidade Federal Fluminense (UFF) e na UFRJ, ficou decidido que a greve deve continuar por tempo indeterminado.
Está prevista para domingo outra manifestação dos professores na praia de Ipanema (zona sul). Nova assembléia para discutir a continuidade da greve deve acontecer na quarta-feira, 15.
Os professores da rede pública estadual, em greve há 38 dias, se juntaram à manifestação dos professores universitários. Eles reivindicam R$ 600 de piso salarial para todos os professores e R$ 420 para todos os funcionários e salários iguais para aposentados e pensionistas. A Pastoral do Menor também organizou manifestação, que reuniu cerca de 150 crianças carentes na Cinelândia, para protestar contra assassinatos de menores de rua, que, segundo o padre Renato Chiera, da Casa do Menor São Miguel, são cada vez mais frequentes.
Foi uma ótima coincidência termos marcado a manifestação no mesmo dia e local dos professores. Estamos mostrando o que acontece em um país onde não se investe na educação.
Os professores das faculdades de medicina e administração decidiram ontem aderir à greve dos docentes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que completa dez dias hoje. Na faculdade de medicina, apenas as atividades acadêmicas serão suspensas. Na semana passada, alunos das faculdades de arquitetura, nutrição e biologia também paralisaram suas atividades. Segundo informações da Apub (Associação dos Professores Universitários da Bahia), 90% dos 2.200 professores universitários da Bahia já aderiram à paralisação. De acordo com a reitoria da universidade, a adesão é de 80%.


