Professor paga pela educação do filho
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Lisandra Paraguassú<br>Agência Estado 
Brasília, DF- O dinheiro é curto, mas não para a educação. Apesar de se consideraram pobres ou de classe média baixa, os professores brasileiros preferem sacrificar parte da sua renda familiar e colocar seus filhos em escolas particulares. A pesquisa ''O Perfil dos Professores Brasileiros'', preparada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e divulgada ontem, mostra que 54% dos 5 mil docentes entrevistados escolheu pagar pela educação dos filhos.
Uma decisão que, mesmo quando a escola não está entre as mais caras, pode comprometer boa parte da renda familiar. A maioria dos 5 mil professores entrevistados (65,5%) tem renda até 10 salários mínimos (R$ 2,4 mil) e um terço ganha no máximo R$ 1,2 mil. Na análise dos dados, os pesquisadores apontam essa tendência como um esforço dos professores em garantir a ''mobilidade social'' para seus filhos - um futuro melhor do que eles tiveram.
A maior parte dos professores entrevistados estudou em escolas públicas e hoje dá aulas no mesmo tipo de instituição. Apesar de ainda terem uma renda baixa, o estudo garantiu a essas pessoas uma vida melhor do que a de seus pais. A pesquisa mostra que 64,2% dos atuais professores têm pais que não conseguiram completar o ensino fundamental. ''Há uma aposta dos professores na educação de seus filhos como seus pais fizeram com eles. Esses professores são a prova de que o investimento na educação tem um altíssimo retorno. É nisso que eles estão apostando'', analisou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil.
Atualmente, a garantia de uma evolução social ainda maior está na escola privada, pois a qualidade das escolas públicas é reconhecidamente questionável. ''Esses dados revelam a dramaticidade do que vem acontecendo no ensino público brasileiro'', disse o secretário-executivo do Ministério da Educação, Fernando Haddad.


