Professor faz a diferença
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Agência Estado De Petrópolis 
A pesquisadora Maria Ligia de Oliveira Barbosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou ontem os resultados preliminares de uma pesquisa que está realizando sobre o desempenho de alunos da rede pública de ensino em Belo Horizonte e Recife. Ela observou que os professores são os maiores responsáveis pelas diferenças de desempenho apresentadas pelos estudantes pesquisados, todos igualmente pobres.
Um exemplo: quanto mais um professor se atém ao uso do livro para explicar a matéria, pior o desempenho do aluno. Professores que recorrem menos ao livro e variam mais a técnica de exposição da matéria obtém melhores resultados. No caso específico dos mestres que ensinam português ou linguagem, verificou-se que aqueles que pedem aos alunos que escrevam composições com maior frequência também chegam a resultados mais positivos.
Maria Ligia apresentou os resultados do estudo durante uma das sessões do Encontro Nacional da Anpocs. Ela explicou que os alunos, de escolas estaduais e municipais, foram submetidos a testes de português e de matemática recomendados pela Unesco. Professores, diretores e pais também foram entrevistados, com recursos das fundações Ford e Tinker, dos Estados Unidos, e do CNPq.
Embora os professores sejam os maiores responsáveis pela diferença nos resultados, eles não são os únicos, segundo a pesquisadora. Quanto maior a escolaridade da mãe, por exemplo, melhor o desempenho do filho. A escolaridade do pai, por outro lado, tem pouca influência.
Maria Lígia também observou que a média das notas dos estudantes escolas com promoção automática é menor. Ela cai quase 3,5 pontos em matemática e 2,2 em português quando existe promoção automática, afirma a pesquisadora no texto apresentado no encontro.


