Arquivo Folha


Sebastião Moreira/Agência Estado
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O suspeitoLeonardo Teodoro de Castro, passageiro do vôo 283 da TAM, hospitalizado desde sábado, pode ter sido o responsável pela explosão que rompeu parte da fuselagem do Fokker-100 (acima) em pleno ar, no dia 9



O professor de Matemática Leonardo Teodoro de Castro, de 58 anos, é o principal suspeito de ter provocado a explosão na fuselagem do Fokker-100 da TAM que causou a morte do engenheiro e empresário Fernando Caldeira de Moura, na quarta-feira da semana passada. A confirmação foi feita ontem pela Polícia Federal (PF), em São Paulo. Em Brasília, a assessoria do diretor geral da PF, Vicente Chelotti, informou que outras três pessoas estão sendo investigadas com o conhecimento da Justiça Federal. Resíduos de material explosivo teriam sido encontrados no apartamento de Castro, em Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, e estão sendo examinados pela Aeronáutica. O laudo deverá ficar pronto na segunda-feira.
Castro que no sábado foi atropelado por um ônibus da Viação Santo Amaro na esquina da Avenidas Santo Amaro e Brigadeiro Luiz Antônio está internado no Hospital São Paulo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os federais o relacionaram como o principal suspeito depois de seu depoimento que durou mais de seis horas. O professor foi indeciso, atrapalhou-se ao dizer o que fora fazer em São José dos Campos e os policiais decidiram solicitar ao juiz da 3ª Vara Criminal Federal, Marco Aurélio Castriani, mandado de busca.
No apartamento da Rua Casa do Ator, 853, em Vila Olímpia, os federais apreenderam os vestígios do material explosivo que está sendo comparado com as peças da fuselagem de posse da Aeronáutica. ‘‘Ele é o principal suspeito, mas continuamos levantando dados sobre outras três pessoas inclusive do engenheiro que morreu’’, contou ontem um delegado da Polícia Federal que supervisiona as investigações.
Constantemente desempregado, hábitos estranhos, Castro ignorava os vizinhos e os familiares. Ele respondeu a acusação de tentativa de homicídio há dois anos e teria tentado o suicídio por duas vezes. Os delegados Pedro Zarzi Júnior e Leandro Coimbra, responsáveis pelo inquérito, esperam o laudo oficial da Aeronáutica para preparar o relatório final. ‘‘A explosão no Itamarati nos fez adotar uma postura de cautela e sem pressa para os nossos trabalhos’’, declarou o diretor geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, ao deixar São Paulo depois de reunir-se com a equipe de investigação. Ele referiu-se à prisão do funcionário acusado de ter mandado uma correspondência com explosivo e depois foi inocentado.
Castro estava sentado no Fokker quatro fileiras à frente do engenheiro Moura. Quase teve rompimento dos tímpanos, ficou internado no Hospital do Jabaquara e na quinta-feira, ao receber alta, foi levado por agentes federais a Superintendência da PF para ser ouvido. Suas respostas foram aceitas com reservas. Ele pensava muito para responder, disse que fora procurar trabalho e tentar fixar residência em São José dos Campos, o que foi desmentido pelas investigações dos policiais.
Num trecho do depoimento, Castro afirmou que pretendia lecionar Matemática e deu o nome da escola. Os federais comprovaram que a escola não existe. Num outro ponto de suas declarações alegou também que pretendia arranjar emprego na Embraer se não desse certo a Matemática mas não soube dizer qual a especialização. Os federais comprovaram que ele chegou de ônibus na noite do dia 8, terça-feira, e embarcou logo pela manhã no vôo 283 com destino à Capital e não esteve na Embraer. Ele estaria carregando duas bolsas de nailon que foram vistas por dois passageiros sobre o banco onde sentou-se o engenheiro.

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