Professor descobre sapos minúsculos
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quinta-feira, 25 de maio de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Em junho, Luiz Fernando Ribeiro, professor de Genética da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), vai publicar na revista científica norte-americana ''Herpetologica'' um artigo no qual descreve uma descoberta capaz de atrair a atenção dos leigos: o registro de duas espécies de sapos minúsculos, tão pequenos que cabem nas unhas da mão.
As espécies foram encontradas na Serra do Mar, numa pesquisa que Ribeiro iniciou em 2000, como parte da tese de doutorado do professor. Ao todo, ele descobriu quatro novas espécies de sapos - duas já foram registradas em artigo publicado no ano passado na revista do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
''A presença destas quatro espécies só ocorre no Paraná, na Serra do Mar. Não foram encontradas em nenhuma outra parte do planeta'', explica Ribeiro. ''Os sapos medem entre 10 e 12 milímetros. Para se ter uma idéia, um sapo de jardim mede entre 10 e 15 centímetros''.
O professor diz que a inspiração para a pesquisa foi o estudo de uma bióloga, que encontrou uma espécie de sapo minúsculo no Morro do Anhangava. ''Achei que poderiam existir outras espécies e iniciei a pesquisa'', justifica Ribeiro.
Os chamados sapinhos da montanha pertencem à família Brachycephalidae. Segundo o professor, 10 espécies da família foram reconhecidas e catalogadas por cientistas. É possível encontrar exemplares na Mata Atlântica, entre o Espírito Santo e o Paraná. Os minúsculos sapos são os menores vertebrados terrestres do planeta.
No Paraná, eles são encontrados em altitudes que variam de 1.000 a 1.800 metros. Os sapinhos da montanha possuem em geral cores brilhantes, como amarelo, laranja e vermelho. As espécies catalogadas por Ribeiro são Brachycephalus brunneus, izecksohni, ferruginus e pombali. O termo Brachycephalus quer dizer ''cabeça com pernas''.
O professor aponta que a descoberta dos sapos minúsculos indica a necessidade de preservação dos recursos naturais. ''Apesar de toda a destruição, aquela região (a Mata Atlântica) ainda é plena de biodiversidade e possibilita a descoberta de novas espécies pelo homem. É preciso preservar. A espécie que a bióloga encontrou já está ameaçada'', lamenta Ribeiro.


