Curitiba- Os cassinos fazem parte mais do imaginário do que da realidade brasileira desde 1946, quando o funcionamento deste tipo de estabelecimento no território nacional foi proibido através de decreto do governo federal. Eles foram o tema da dissertação de mestrado do professor Dario Luiz Dias Paixão, coordenador do curso de Turismo do Centro Universitário Positivo (Unicenp). Ontem à noite, ele daria palestra sobre o assunto no Hotel Centro Europeu, em Curitiba.
Paixão considera que os cassinos podem voltar a ser legalizados no Brasil, mas este é um processo que exige cuidados. ‘‘Penso que deve ser criada uma Comissão Nacional de Jogos, para discutir o papel real dos jogos de azar no País e definir quem deve gerir empreendimentos do tipo’’, explica o professor. ‘‘O jogo vicia entre 1% e 5% da população que joga permanentemente. Em países onde há maior controle no acesso a cassinos, os índices de vício em jogos são menores’’.
O professor argumenta que este controle de acesso no Brasil poderia ser feito através da exigência de que cassinos só sejam implantados em resorts turísticos. ‘‘Estes resorts ficam afastados das grandes cidades, distantes de comunidades populosas’’, pondera Paixão. Outro cuidado a ser tomado seria estabelecer que parte significativa dos lucros dos cassinos fosse direcionada para tratamento de pessoas viciadas em jogo.
Paixão entende que legislação e regulamentação rígidas permitiriam que os cassinos fossem novamente legalizados, o que traria benefícios à economia brasileira. ‘‘Com a legalização dos cassinos, aproximadamente US$ 2 bilhões seriam investidos quase que imediatamente no setor, por empresas estrangeiras e nacionais interessadas em trabalhar com esse tipo de empreendimento. Poderiam ser gerados cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos’’, diz ele.
O professor aponta que a implantação de cassinos legalizados aumentaria em até 10% o número de turistas estrangeiros que visitam o País. E há público local interessado. ‘‘Hoje, nos cassinos localizados em cidades estrangeiras que fazem fronteira com o Brasil, 80% dos freqüentadores são brasileiros. Por ano, 60 mil brasileiros vão a Las Vegas para jogar em cassinos, e 45 mil vão a Atlantic City’’, aponta Paixão.
Segundo o professor, o Brasil tem atualmente cerca de 100 cassinos clandestinos. Na década passada, um projeto de lei para legalização de estabelecimentos do tipo chegou a ser aprovado no Congresso Nacional, mas foi engavetado. O texto previa que cada Estado brasileiro poderia ter apenas dois cassinos.
‘‘As irregularidades geralmente associadas aos jogos, como lavagem de dinheiro, poderiam ser evitadas com um controle rígido do sistema de cassinos, caso eles fossem legalizados. Nos países onde a legislação do setor é cumprida, os crimes são raros’’, conclui Paixão.

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