Professor da USP fala da utopia do planejamento
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Marcos Zanatta 
O professor Renato Janine Ribeiro, da Universidade de São Paulo (USP), disse ontem, em Maringá, durante o primeiro simpósio da 6ª Reunião Especial do SBPC, que o Brasil tem uma sociedade selvagem no tocante a ocupação do espaço público. Ele abriu o ciclo de simpósio da reunião que debate a cidade de médio porte falando sobre urbanismo e política dos 500 anos de utopia. A idéia de reflexão sobre a cidade é política, garante Ribeiro. A utopia, segundo ele, está no urbanismo e na cidade planejada. Um bom exemplo citado é Brasília, cujo projeto pregava a moradia igualitária para todos os habitantes.
A saída, segundo ele, é prevenir os problemas detectados em cidades grandes para evitar os mesmos erros nas áreas urbanas em crescimento. No Brasil, a calçada, segundo Ribeiro, é um exemplo de ocupação desordenada. O mínimo que uma calçada deveria garantir é uma pessoa passar por outra sem desviar, o que nem sempre ocorre na maior parte das cidades brasileiras, avalia. Para mudar isso seria necessário uma renovação que passa pela política de planejamento. Ribeiro explica que a prioridade hoje é a rua mais larga, por causa do uso crescente dos veículos.
Ele disse que existe uma infinidade de erros que podem ser evitados nas cidades médias. As áreas urbanas têm planejamento mas insuficientes, não levando-se em conta a realidade, e sem metas de alcance. O planejamento no Brasil, continua Ribeiro, fica apenas no campo técnico, que é desfeito na primeira crise que atinge o país ou mesmo o município. Para o professor Ribeiro as cidades devem mudar as prioridades de desenvolvimento. Segundo ele, é incoerente uma cidade de médio porte procurar atrair indústrias e mais gente. Hoje o setor de serviços é que está em expansão, e não as indústrias, por isso as políticas habitacionais devem se preocupar mais com a qualidade e não com a quantidade da população.


