Professor da Unesp é assassinado por adolescentes em Botucatu
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Botucatu, 18 (AE) - Três adolescentes e um rapaz de 18 anos confessaram hoje (18) terem assassinado o médico Antônio de Pádua Campana, de 59 anos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), em Botucatu, a 225 quilômetros de São Paulo. Campana, que morava sozinho em um bairro nobre da cidade, foi encontrado morto segunda-feira por sua empregada.
Ele estava amarrado com gravatas a uma cadeira, amordaçado com uma camisa e apresentava ferimentos na cabeça.
O médico era um dos fundadores da universidade e muito conhecido na cidade. As circunstâncias de sua morte chocaram a população. Seu corpo foi sepultado hoje.
A polícia começou a investigar o crime a partir de uma agenda encontrada na casa. O nome de M.S.P., de 16 anos, estava na agenda. O garoto é sobrinho de um policial e tinha saído da cidade após a morte do médico. Com a confissão de M.S.P., a polícia chegou aos outros autores do crime, W.P.T. e G.S.S., ambos de 15 anos, e Adilson Rodrigues Negrão Júnior, de 18. Eles contaram que mataram Campana para roubar. Dois dos adolescentes já conheciam o médico. Os quatro foram até a casa do médico sábado à noite e, enquanto um deles apertava a campainha, os outros pulavam o muro.
Quando reconheceu o menor e saiu para abrir o portão, Campana foi dominado. Levado para dentro, foi amarrado.
Os garotos pediram dinheiro e um deles, G.S.S., agrediu-o com uma táboa de carne. O golpe causou traumatismo craniano. O médico desmaiou e asfixiou-se com o sangue. Os rapazes roubaram um aparelho de som e 310 dólares e fugiram no carro do médico. Para desfazer-se do veículo, eles viajaram até Tietê, a 90 quilômetros, voltando de carona para Botucatu. A polícia descobriu que o menor G.S.S. e Adilson Negrão haviam praticado um crime semelhante, há cerca de três semanas. A vítima foi o microempresário Osvaldo Borgatto, também encontrado amarrado com gravatas. Negrão Júnior está preso em Botucatu. Os três menores foram levados sob custódia para a cadeia de Itatinga e serão transferidos para uma unidade da Febem.


