Professor da PUC gera polêmica em congresso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de julho de 1997
Mônica Venson Especial para a Folha 
O professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Celso Antônio Bandeira de Mello, causou polêmica ao dizer que o processo de globalização é um retrocesso político-social. A afirmação foi feita durante a conferência de encerramento do I Congresso Sul-Brasileiro de Direito Administrativo, realizado em Foz do Iguaçu, no fim do mês passado.
Ao iniciar a palestra sobre Globalização e Democracia, o professor disse que não poderia compactuar com a idéia de que as relações econômicas dão impulso ao destino do homem, mesmo que com isto ele fosse chamado de anacrônico e de estar na contra-mão da história.
Para o professor, a implosão da União Soviética provocou nos estados capitalistas a eliminação do medo e a volta do chamado neo-liberalismo, que é a máscara do antigo capitalismo selvagem.
Os Estados Unidos e a Europa já não temem o comunismo e o resultado disso é uma sociedade mundial atenta, exclusivamente, às necessidades de minorias privilegiadas, afirmou.
Durante a palestra, Bandeira de Mello explicou que o progresso apresentado pela globalização é ilusório. Reflete apenas os interesses de grandes grupos econômicos. Segundo ele, este sistema só tem uma consequência: desemprego e miséria. O professor lembrou que, na Europa, a globalização resultou em 18 milhões de desempregados e 30 milhões de excluídos.
A professora de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Maria Sylvia Zanella Di Pietro também não é muito favorável ao processo de globalização, principalmente o adotado pelo Brasil.
De acordo com a professora, o anúncio divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia de que o conceito de empresa brasileira deixaria de existir nas relações comerciais é preocupante, pois mostra a submissão do País aos interesses de grupos internacionais. Não há necessidade da revogação de um artigo tão importante da Constituição Brasileira, reclamou.


