Professor da PUC é morto com requintes de crueldade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Agência Estado 
Belo Horizonte - A Polícia Civil mineira prendeu ontem quatro homens suspeitos de matar o padre José de Souza Fernandes, 48 anos, que estava desaparecido desde a noite de domingo. O padre, que era professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), foi assassinado na região metropolitana da capital mineira com requintes de crueldade.
A prisão dos acusados permitiu que o corpo do religioso, que havia sido encontrado na segunda-feira, fosse reconhecido por seus familiares. Segundo o chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), Elson Mattos, o padre teria um ''relacionamento amoroso'' com o servente de pedreiro e garoto de programa Pedro Roberto Soares, de 23 anos, suspeito de planejar e executar o crime ao lado de José Cláudio da Silva Rocha, 21 anos, que está foragido. Eles queriam roubar a caminhonete do religioso e por isso teriam arquitetado o assassinato.
De acordo com o delegado, os suspeitos do crime, após as 20 horas de domingo, teriam pegado uma carona com o padre, que teria sido rendido e assassinado depois num local deserto. A princípio, teriam tentado matá-lo por enforcamento, usando um torniquete de arame. Como o religioso ainda deveria apresentar sinais vitais, teria levado então dois tiros na cabeça.
Posteriormente, o suspeito teria entrado na caminhonete e passado com o veículo várias vezes por cima do corpo da vítima, que foi encontrado por populares cerca de 24 horas depois do crime, em um loteamento.
Ele foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), onde deu entrada como desconhecido, já que estava totalmente desfigurado. Uma camisa encontrada pela polícia no local do assassinato ajudou no reconhecimento do corpo.
Doutor em teologia moral e filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália, Fernandes atuava na PUC Minas há 15 anos e fundou, junto com outros teólogos, o Núcleo de Bioética da universidade católica. Era considerado uma referência nacional nessa área e dava aulas de filosofia, ética e cultura religiosa.
''Sua ausência abre um enorme vazio não apenas pelas valiosas contribuições que sempre prestou à universidade e à arquidiocese, como também pelo lastro de amizades que deixou'', comentou ontem o padre Geraldo Magela, reitor da PUC-Minas.


